Com salários atrasados, funcionários do Hospital Beneficência
Portuguesa de Campos procuraram a reportagem do Terceira Via para
denunciar um problema. Temendo represália ou demissão, pediram para não
serem identificados. O motivo do atraso não foi explicado. Eles
disseram que também não foi pago o décimo terceiro salário do ano
passado. O sindicato da categoria confirmou o fato, e disse que
notificou o hospital junto ao Ministério do Trabalho. Procurada pela
reportagem, a direção da Beneficência não se manifestou.
De acordo com uma técnica em enfermagem, 30% do salário do mês de
março foi pago no mês seguinte, e 70% no dia 26 de maio. Portanto, os
meses de abril e maio não têm previsão de pagamento. Ela conta que tem
sido assim frequentemente. “É uma situação muito difícil. Há colegas com
aluguéis atrasados, e alguns estão com dificuldade de comprar comida.
Às vezes, nos dão um vale de R$100. Esse valor ajuda no transporte. A
gente acaba aguentando, esperando a situação melhorar. O desemprego é
grande. Temos medo de demissão”, disse.
O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde
de Campos (SES) informou que sugeriu aos funcionários da Beneficência
Portuguesa entrarem em estado de greve durante duas assembleias, mas a
proposta foi rejeitada pelos profissionais. Segundo o presidente do SES,
Carlos Morales, denúncias foram feitas aos órgãos fiscalizadores
Ministério do Trabalho e Ministério Público do Trabalho. “Uma ação civil
pública também foi aberta. O hospital tem recebido multas por quebra de
contrato com o trabalhador e por não estar cumprindo a CLT”, informou o
sindicalista.
A direção da Beneficência Portuguesa de Campos foi procurada pela
reportagem por telefone e por email. Mensagens de texto foram enviadas
para saber se há previsão de normalizar os pagamentos dos funcionários; e
informar os motivos dos atrasos de salários. Nenhuma resposta foi dada.
Para Carlos Morales, outros dois hospitais filantrópicos passam por
situação semelhante: “Outros dois também têm problemas de salários
atrasados, mas expectativa de regularização. Diferentemente da
Beneficência que nem o décimo terceiro de 2017 conseguiu quitar”.
comentou.
Funcionários da Beneficência Portuguesa disseram que os problemas de
atraso de salários passaram a ocorrer depois da conclusão de um edifício
moderno que faz parte da instituição. “Essa crise não existia. Aqui é
um excelente hospital, com boa infraestrutura e conforto. Porém tem
faltado insumos, medicamentos e material para gente trabalhar. Torcemos
para que isso passe logo e que voltemos a receber em dia”, disse um
auxiliar de enfermagem.
Para Carlos Morales, é uma situação bastante delicada para o
hospital. “É uma instituição filantrópica que ajuda muitos pacientes. Os
problemas de repasses do SUS e da Prefeitura de Campos não justificam a
crise atual”, conclui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário