Começou, na tarde desta segunda-feira (4), o interrogatório dos réus
envolvidos no Caso Caixa D’água, entre eles a ex-prefeita de Campos,
Rosinha Garotinho e seu marido, Anthony Garotinho. Eles são acusados de
extorquir dinheiro de empresários para criação de caixa 2 e movimentação
financeira para campanha eleitoral. O esquema foi descoberto pela
Polícia Federal, em 2017.
O casal participou do interrogatório, mas não esclareceu nada.
Rosinha solicitou o direito de ficar em silêncio, por ter sido orientada
a falar somente na presença do advogado dela, que não compareceu ao
ato. Para não adiar – mais uma vez – o interrogatório, o juiz Ralph
Manhães, nomeou dois advogados dativos para representar os réus. Paulo
Barbosa Xavier e Roberto Almeida dos Santos.
Anthony Garotinho repetiu o posicionamento de Rosinha e acrescentou
que teve seu direito cerceado por não ter sido previamente notificado de
que seria representado por advogados dativos. No entanto, Garotinho não
explicou com detalhes o motivo de seu advogado não ter comparecido à
audiência. “Ele teve problemas de saúde e passaria por uma cirurgia no
último dia 24, mas o procedimento foi adiado por conta da greve dos
caminhoneiros”.
Os políticos Thiago Godoy, Suledil Bernardino e o empreiteiro Ney
Flores também prestaram depoimento. Flores negou as acusações. Ele disse
que participou da campanha na qual Garotinho concorreu ao Governo do
Estado do Rio de Janeiro, mas que ele não era coordenador financeiro da
campanha, como consta na denúncia. Ele negou que tenha pedido a
empresários qualquer recurso para a campanha.
A audiência para interrogatório dos réus estava marcada para o dia 18
de abril, mas foi adiada devido a um problema de saúde do advogado do
casal Garotinho.
Operação Caixa D’água: A Polícia Federal deflagou a
operação no dia 22 de dezembro de 2017. Além de Rosinha e Garotinho,
foram presos Thiago Godoy, Suledil Bernardino, o empreiteiro Ney Flores,
o policial civil aposentado Antônio Carlos Ribeiro, o ex-ministro dos
Transportes e então presidente nacional do Partido da República (PR),
Carlos Antônio Rodrigues e o filho dele, Fabiano Rosas Alonso. Segundo a
PF, o grupo criminoso agia exigindo dinheiro de empresários para
criação de um caixa 2 para financiamento da campanha eleitoral de
Garotinho para o Governo do Rio, em 2014. Em troca do pagamento de
dinheiro para a campanha, os empresários receberiam os valores devidos
que tinham com a Prefeitura de Campos, por meio de contratos que não
haviam sido pagos. O esquema foi denunciado por um dos empresários
extorquidos, André Luiz Rodrigues, o Deca, que compareceu à PF e é
citado no processo como autor de delação premiada.

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