As últimas duas semanas não foram boas para a família Garotinho. Se o
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) jogou água na
candidatura de Anthony Garotinho (PRP) ao Palácio Guanabara ao
confirmar, na última quinta-feira (26), condenação a oito anos de
inelegibilidade por improbidade administrativa, a situação de Rosinha
(Patri) é ainda pior.
Em curto espaço de tempo, a ex-prefeita de Campos teve os direitos
políticos suspensos não uma, mas duas vezes. Na quarta-feira, o Tribunal
Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro (TRE-RJ) confirmou
sentença por abuso de poder político e econômico nas últimas eleições
municipais. Antes, no último dia 18, Rosinha teve suas contas de 2016
rejeitadas pela Câmara de Vereadores do município.
Mas, tem mais: foi da Casa de Leis que saíram os relatórios de duas
Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que apresentam ao Ministério
Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) indícios de irregularidades
em contratos que sugerem indiciamento por formação de quadrilha e
improbidade.
A defesa do casal nega todas as acusações e atribui as decisões à perseguição política.
CHEQUINHO
O TRE-RJ manteve a condenação de Rosinha por abuso de poder político e
econômico nas eleições de 2016. O julgamento da Ação de Investigação
Judicial Eleitoral (Aije) começou na última segunda-feira, mas chegou a
ser interrompido por um pedido de vista do desembargador Gustavo Matos.
A ex-prefeita foi condenada em primeira instância pelo juiz da 76ª
Zona Eleitoral de Campos, Eron Simas, por transgressões eleitorais que
vieram à tona durante as investigações da Operação Chequinho, da Polícia
Federal (PF). Com a decisão da Corte regional, Rosinha fica inelegível
por oito anos, a contar de 2016.
Para o TRE-RJ, Rosinha participou de um esquema de concessão e
distribuição, de forma fraudulenta, do programa assistencial Cheque
Cidadão, visando à obtenção de votos. De acordo com o voto da relatora,
desembargadora eleitoral Cristiane Frota, “de junho a julho de 2016,
oficialmente, houve um acréscimo de 1.203 agraciados com o programa
assistencial, o que se revela muito acima da média mensal de inclusão de
novos beneficiários. Entretanto, o incremento do programa não revela
toda a extensão do ilícito. A partir de julho de 2016, três meses antes
do pleito, o número de beneficiários do aludido programa mais do que
dobrou, alcançando o número de 30.470 beneficiários”.
O advogado Carlos Azeredo informou, em nota, que a defesa da
ex-prefeita vai recorrer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em
Brasília.
CONTAS REJEITADAS
A Câmara de Vereadores de Campos aprovou com 15 votos favoráveis e 9
contrários, o parecer do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro
(TCE-RJ) que recomendava a rejeição das contas de Rosinha referentes ao
exercício de 2016. A Corte apontou 7 irregularidades e 13 improbidades
cometidas pela gestão da ex-prefeita em seu último ano.
O resultado da votação foi publicado no Diário Oficial do município
no último dia 19. De acordo com o procurador Legislativo Robson Maciel
Júnior, “após a publicação do Decreto Legislativo, foi enviado Ofício ao
Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e Ministério Público do
Estado do Rio de Janeiro comunicando o resultado”.
Maciel Júnior explica que “a reprovação de contas pode importar em
responsabilidade penal, civil e eleitoral. Isso dependerá da avaliação
dos órgãos competentes”.
Em nota, Rosinha garantiu que teve a defesa “cerceada” e que irá “à Justiça para anular essa votação”.
CPIs
Outros fantasmas que podem voltar a assombrar a ex-prefeita a
qualquer momento são os da empresa Emec Obras e Serviços Ltda e da
empreiteira Odebrecht. As relações da família Garotinho com ambas foram
investigadas em CPIs conduzidas na Câmara de Vereadores de Campos.
A CPI das Rosas investigou contrato da prefeitura com Emec,
responsável pela manutenção de praças e jardins do município entre 2011 e
2016, período em que recebeu da prefeitura R$ 76.150.706,73. Entre as
irregularidades identificadas na contratação da empresa estariam
combinação de resultados em licitações públicas e superfaturamento de
valores.
O relatório apontou indícios da prática dos crimes de formação de
quadrilha e improbidade administrativa e sugere o indiciamento de
Rosinha.
Já a CPI da Odebrecht apurou pagamentos irregulares da empreiteira a
Rosinha e Garotinho, por meio de fraudes em contratos do programa
habitacional Morar Feliz II, que foi bandeira de campanha da ex-prefeita
em sua eleição, em 2008, e reeleição, em 2012.
Delações premiadas de executivos da empreiteira, feitas no âmbito da
Lava Jato, revelaram pagamentos irregulares de até R$ 20 milhões ao
casal — recursos empregados em campanhas políticas dos dois e de
aliados.
Segundo o relatório, foram constatados indícios das seguintes
irregularidades nos contratos: associação criminosa, fraude ao caráter
competitivo de licitação, fraude de concorrência, corrupção passiva,
caixa dois eleitoral e improbidade administrativa.
O procurador Legislativo Robson Maciel Júnior se limitou a dizer que
“os relatórios foram encaminhados ao Ministério Público do Estado do Rio
de Janeiro”, sem, no entanto, dizer quando. A reportagem do Jornal
Terceira Via pediu informações sobre ambas as CPIs, mas não recebeu
respostas até o fechamento desta edição.

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