A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu hoje (24) ao Supremo
Tribunal Federal (STF) rapidez no julgamento do recurso apresentado
contra a decisão do ministro Ricardo Lewandowski que suspendeu, em
abril, o andamento de uma ação penal da Justiça Eleitoral contra o
ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro Anthony Garotinho.
No processo, Garotinho foi condenado a 9 anos e 11 meses de prisão
pelo crime de corrupção eleitoral, mas a defesa pediu a suspeição do
promotor de Justiça responsável pelo caso durante a fase de apuração
policial. Após a Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro marcar o julgamento
da apelação da defesa contra a condenação, Lewandowski suspendeu
temporariamente a tramitação até o julgamento final do caso pelo
Supremo.
Ao se manifestar sobre o caso, a procuradora-geral da República,
Raquel Dodge, pediu que o recurso contra a decisão de Lewandowski seja
julgado imediatamente pela Corte em função do período eleitoral.
Garotinho é pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PRP.
“Aqui, vale notar que, caso a 2ª Turma do STF venha a julgar o habeas corpus e
o agravo interno apenas após a data do pleito eleitoral, Anthony
Garotinho estará livre para disputar as eleições e, se eleito, poderá
ser diplomado normalmente”, argumentou Raquel Dodge.
Resposta — Em nota divulgada pela assessoria de
Anthony Garotinho, o pré-candidato ao governo do Rio diz que a Operação
Chequinho, que que investigou um suposto esquema de troca de votos
envolvendo o programa social Cheque Cidadão, na eleição municipal de
2016, é um jogo político.
“O promotor não poderia ter atuado no caso, já que é denunciado por
mim desde 2015. Isso o coloca sob suspeição. Já o juiz, por sua vez,
agiu com parcialidade, a ponto de destituir um advogado dativo nomeado
por si mesmo”, afirma o texto.
“Não existe sequer um favorecido do Cheque Cidadão dizendo que recebeu o benefício por meu intermédio”, diz o ex-governador.
Segundo Garotinho, houve ainda uma série de ilegalidades no decorrer
do processo e um claro cerceamento de defesa. “A delegada-chefe da
Polícia Federal à época dos acontecimentos chegou a afirmar, em um
depoimento tornado público recentemente, que o delegado da dita Operação
Chequinho praticou uma série de irregularidades a fim de forçar
depoimentos contra mim. Entre essas irregularidades, prisão de pessoas
inocentes e tortura.”

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