A Prefeitura do Rio acusou, em nota divulgada nesta terça-feira, 17, a
imprensa de incentivar e propagar um sentimento de intolerância
religiosa ao divulgar "colocações distorcidas e fora de contexto", o que
teria induzido o Poder Judiciário a erro depois de o juiz Rafael
Cavalcanti Cruz, da 7ª Vara de Fazenda Pública da Capital, aceitar
denúncia de improbidade administrativa contra o prefeito Marcelo
Crivella. O Ministério Público estadual (MPRJ) acusa o prefeito de ferir
a laicidade do Estado e privilegiar grupos religiosos depois de um
vídeo ter mostrado o prefeito oferecendo prioridade a fiéis da Igreja
Universal do Reino de Deus no acesso a cirurgias do Sistema Único de
Saúde.
"As medidas anunciadas pela Justiça não guardam correlação com a atuação
da administração municipal, que tem primado pela inclusão e pelo
aumento de oportunidades para todos. Informa ainda que irá esclarecer
todas as dúvidas eventualmente apontadas", diz a nota.
Na decisão, o magistrado listou restrições que o prefeito terá que
cumprir, sob o risco de ser até afastado do cargo. Ele não poderá
privilegiar, por exemplo, um grupo específico para acesso a serviços
públicos. O juiz também proibiu a administração pública de realizar
censos religiosos ou conceder subsídios às igrejas fora dos previstos em
lei.
"Causa profunda preocupação a vulneração ao regime democrático e ao
Estado de Direito, uma vez que um prefeito democraticamente eleito pelo
voto popular não pode ser afastado de suas funções de forma preventiva,
salvo por decisão do Poder Legislativo ou no caso de haver prejuízo para
a apuração, circunstância reconhecidamente inexistente até pela própria
decisão", acrescentou a prefeitura na nota.
A nota prossegue informando que a Prefeitura acredita que "o Poder
Judiciário foi induzido a erro por colocações distorcidas e fora de
contexto por parte da mídia, que incentiva e propaga um sentimento de
intolerância religiosa" e esclarece que "demonstrará, no decorrer do
processo, que não houve na atual gestão qualquer ação irregular ou que
destoe do que usualmente era praticado pelas administrações municipais
anteriores, razão pela qual acredita no esclarecimento dos fatos e na
atuação da Justiça".
Em relação à decisão do juiz da 20ª Vara do Distrito Federal, que apura
irregularidades em um contrato durante a gestão de Crivella à frente do
Ministério da Pesca e determinou o bloqueio de mais de R$3 milhões em
suas contas bancárias, a nota informa que "vale ressaltar que foi
determinada realização de sindicância no Ministério da Pesca e, antes
mesmo da manifestação da Controladoria Geral da União (CGU), o contrato
foi cancelado, quando só havia sido executado em R$ 79 mil. Cabe
esclarecer que não é da responsabilidade de um ministro de Estado a
fiscalização de contrato".

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