BRASÍLIA - O reajuste de 16,38% que os ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF) querem aprovar no próprio salário para 2019 pode gerar uma
fatura extra de até R$ 4 bilhões, a ser dividida entre os poderes da
União e dos Estados. O cálculo foi feito pelas consultorias de Orçamento
da Câmara e do Senado.
Só para a União, o custo adicional pode ser de R$ 1,4 bilhão, incluindo
todos os Poderes. Isso acontece porque já há hoje servidores ganhando,
no papel, mais que os R$ 33,7 mil mensais permitidos pelo teto atual.
Eles são alvo do chamado "abate-teto". Se for aprovada no Congresso a
elevação da remuneração máxima para R$ 39,2 mil mensais, haverá
servidores que terão um "reajuste automático".
Nos Estados, o impacto deve chegar a R$ 2,6 bilhões. Mas os consultores
admitem que o número pode estar superestimado, pois a conta pressupõe
que todos os juízes, por exemplo, terão ganhos com a mudança. Esse
modelo é usado para facilitar o cálculo, pois é muito difícil
identificar e excluir da conta aqueles servidores que ganham abaixo do
teto atual e, por isso, não sentirão efeito algum.
O efeito cascata do reajuste proposto pelo STF preocupa a área
econômica porque as estimativas de gasto com pessoal já estão ficando
piores antes mesmo de qualquer alteração no teto do funcionalismo. Em
abril, o governo projetou uma despesa de R$ 322 bilhões com a folha de
pagamento da União para 2019 - a segunda maior do Orçamento, atrás
apenas dos benefícios previdenciários.
Ao refazer as contas para o Orçamento do ano que vem, que precisa ser
enviado até 31 de agosto, a área econômica já percebeu que o gasto vai
crescer mais. A estimativa atual está em R$ 328 bilhões, segundo apurou o
Estadão/Broadcast.
A decisão dos ministros do Supremo foi vista pela equipe econômica como
um sinal bastante negativo em meio ao esforço de ajuste fiscal. A
avaliação é que o timing do aumento atrapalha inclusive a
argumentação do governo a favor do adiamento do reajuste dos servidores
da União de 2019 para 2020, medida essencial para equilibrar o projeto
de lei orçamentária para o ano que vem.
Se o reajuste do STF for levado adiante, boa parte da economia de R$
6,9 bilhões será injetada em salários de servidores que já estão no topo
das remunerações, em vez de ser direcionada à manutenção de serviços
públicos e a investimentos.
A proposta do adiamento dos reajustes dos servidores partiu justamente
da necessidade do governo de abrir espaço no teto e desafogar os gastos
voltados para custeio e investimentos, que estão sofrendo severas
restrições diante do avanço acelerado de despesas obrigatórias como
salários e Previdência. Para o ano que vem, a estimativa da área
econômica é de que há espaço de apenas R$ 90 bilhões para os gastos
chamados "discricionários", um corte significativo ante os R$ 125
bilhões que são estimados para este ano.
Se o reajuste aos ministros do STF passar no Congresso Nacional, esse
espaço cairá para menos de R$ 90 bilhões, pressionando ainda mais os
investimentos e a prestação de serviços à população.

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