A mais recente intervenção cirúrgica no candidato do PSL à Presidência,
Jair Bolsonaro, consolidou a avaliação entre aliados de que o líder das
pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto deve ficar fora de
"agendas de rua" ao menos no primeiro turno da campanha, disseram à
Reuters pessoas próximas a ele.
O candidato do PSL voltou para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI)
na madrugada desta quinta-feira, após passar por cirurgia de emergência
na noite de quarta-feira, segundo o hospital Albert Einstein. Na
quinta-feira passada, ele foi esfaqueado na barriga em um evento de
campanha em Juiz de Fora (MG) e busca se recuperar das lesões do
atentado.
Até o momento, não há nenhuma informação sobre possibilidade de alta
de Bolsonaro e o momento em que será liberado para retomar atividades
de campanha. Aliados disseram categoricamente à Reuters que a equipe
médica e não o calendário eleitoral vai ditar a volta do candidato do
PSL à corrida eleitoral.
O coordenador da campanha de Bolsonaro em São Paulo, o deputado
federal Major Olimpio, admitiu à Reuters que o candidato do PSL estará
fora da campanha na rua no primeiro turno.
"Minha avaliação é que, para esses atos que é o contato com massa,
povão, não vejo essa condição física de fazer isso em primeiro turno",
disse Olimpio, ao considerar que não vê problema de ele filmes ou faça
lives (gravações ao vivo) para serem divulgadas nas redes sociais, o
principal meio de veiculação de campanha de Bolsonaro.
"Quem vai dizer o que o Bolsonaro vai fazer é o médico, não é o
calendário eleitoral, nem marqueteiro", disse o deputado federal, que
esteve na manhã desta quinta no hospital para obter detalhes sobre a
recuperação do presidenciável. Olimpio é candidato a senador pelo PSL.
Mais cedo, também em entrevista à Reuters, o candidato a vice na
chapa de Bolsonaro, o general da reserva do Exército Hamilton Mourão
(PRTB), reconheceu também que a nova cirurgia a que foi submetido o
presidenciável vai atrasar o retorno dele às atividades de campanha, mas
não quis precisar se isso pode ocorrer antes do primeiro turno, em 7 de
outubro.
Mourão disse que a cirurgia realizada em Bolsonaro na noite de
quarta-feira foi bem-sucedida, conforme anunciado pelos médicos, mas
reconheceu que a nova intervenção vai demandar um maior tempo de
recuperação para o candidato.
"Vai atrasar a volta dele para atividade. Não dá para dizer prazo
disso aí (se volta antes do primeiro turno). Nessa ânsia de quando vai
voltar, isso acaba até causando mais estresse para ele", afirmou Mourão
por telefone.
ALTERNATIVAS - Até o momento, não há uma alternativa acertada pela cúpula da
coligação sobre como manter em evidência a campanha de Bolsonaro. Na
segunda-feira, antes da nova cirurgia, o deputado estadual Flavio
Bolsonaro (PSL-RJ) já tinha afirmado que seu pai iria fazer campanha ao
Palácio do Planalto por meio da internet, quando tiver condições para
isso.
"Ele (Bolsonaro) vai fazer a campanha agora, quando tiver condições,
basicamente via internet e da nossa parte e de todos os candidatos do
PSL um empenho ainda maior para mostrar para quem tentou tirar a vida
dele e manchar de sangue essa campanha eleitoral que a vontade do povo
vai ser respeitada", disse ele, em entrevista coletiva após deixar a
sede da Polícia Federal em Brasília para, dentre outras coisas, obter
detalhes das investigações sobre o esfaqueamento.
Olimpio defendeu a ideia de que Mourão substitua Bolsonaro em
eventos como debates e sabatinas, embora essa proposta não seja consenso
dentro do partido --especulou-se fazer uma consulta ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) sobre essa possibilidade, que até agora não foi
formalizada.
O deputado paulista disse que vai realizar na próxima semana atos de
campanha junto com Mourão. "Não vejo porque não se for possível o
vice-presidente que encabeça a chapa com ele representá-lo", disse
Olimpio, que acredita ser possível, mesmo sem a presença de Bolsonaro,
trabalhar para vencer no primeiro turno.
Mourão, contudo, trabalha com a hipótese de vencer a disputa ao
Palácio do Planalto no segundo turno, embora ressaltou que vai atuar nas
próximas três semanas para amealhar uma vitória no primeiro turno.
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