Pelas ruas centrais de Campos, pedestres e ciclistas costumam não se
entender muito bem. No Boulevard Francisco de Paula Carneiro, mais
conhecido como o Calçadão, as bicicletas em movimento colocam em risco a
segurança dos que caminham. Mas, quem precisa estacionar as bicicletas
na região também pode atrapalhar os transeuntes. Apesar de haver locais
para estacionamento, os bicicletários não dão conta. Muitos
proprietários prendem as bikes junto aos postes, placas de sinalização,
bancos e grades, o que costuma danificar o patrimônio público. A
Prefeitura de Campos alega que tenta resolver o problema.
O vendedor Luiz Carlos Gomes diz que usa a bicicleta todos os dias
para trabalhar. Ele conta que, logo cedo, os bicicletários já estão
cheios. Sem ter onde estacionar, confessa que amarra sua bicicleta em
postes de iluminação com corrente e cadeado. Questionado sobre danos na
pintura do poste e sobre ocupar o espaço do pedestre, Luiz questiona:
“Fazer o quê? Eu não tenho onde deixar a bike”.
A comerciante Neide Fernandes tem um estabelecimento em frente ao
bicicletário do Calçadão, bem próximo à Catedral. Ela diz que até
compreende quem usa os postes e placas de sinalização, já que não há
bicicletários suficientes. “O problema é que alguns prendem as
bicicletas em grades e portões de comércios que parecem estar vazios. Já
aconteceu de um vizinho ter que pedir para quebrar o cadeado, pois não
conseguia abrir a grade da loja”, conta.
A dona de casa Luzia Alvarenga é moradora do Parque Bela Vista.
Sempre que precisa ir ao Centro da cidade, procura ter cuidado ao
caminhar pelo Calçadão. “As bicicletas estacionadas incomodam menos que
os ciclistas que pedalam pela rua que é só de pedestres. Muitos não
respeitam a gente. Tenho medo de ser atropelada”, revela.
Além do Boulevard, em outras ruas centrais de Campos é fácil
encontrar bicicletas acorrentadas a postes e placas de sinalização. A
Rua Teotônio Ferreira de Araújo e a Travessa Carlos Gomes são dois
exemplos. A estudante Érica Moreira reclama: “Às vezes, a gente esbarra
nas bicicletas que ficam atravessadas. O pedestre precisa disputar
espaço na calçada para poder passar”, diz.

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