Talvez você nem saiba, mas nesta quarta-feira (10) é celebrado o Dia
Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher. Os números indicam que a
elas ainda são vítimas dos mais variados tipos de violência, como a
física, a sexual, a moral, a psicológica e também a chamada violência
patrimonial. De acordo com os dados do Instituto de Segurança Pública do
Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ), com base nos registros de ocorrência
da Polícia Civil, no ano passado foram 13 homicídios dolosos, 557 casos
de lesão corporal e 103 estupros que vitimaram mulheres ano passado em
Campos dos Goytacazes.
De acordo com o Dossiê Mulher 2018 — uma publicação anual do ISP que
analisa dados de violência contra a mulher no Estado — foram registrados
68 feminicídios no Rio de Janeiro em 2017, assim como 187 tentativas de
feminicídio e 4.173 casos de estupro. Em relação a homicídios dolosos,
381 mulheres foram vítimas deste tipo de crime no território fluminense.
Os números apontam a presença da violência doméstica, familiar e suas
consequências mais extremas contra as mulheres: uma parcela
significativa (29,7%), 113 dos homicídios dolosos de mulheres (incluídos
os feminicídios) registrados em 2017 ocorreram no interior de
residência. Companheiros e ex-companheiros corresponderam a 12,6% (48)
dos acusados. Ou seja, de acordo com os dados do ISP em 2017, por
semana, pelo menos uma mulher foi vítima de homicídio doloso tendo como
acusado seu companheiro ou ex-companheiro.
Ainda segundo o dossiê, a violência sexual é o tipo de agressão que
proporcionalmente mais atinge as mulheres: no universo dos diferentes
crimes sexuais tratados pelo documento, as mulheres representam entre
80% e 90% do total de vítimas.
O dossiê traz dados, mas sugere que os números podem ser ainda
maiores por conta de subnotificações. “Naturalmente os delitos contra
mulheres já sofrem efeitos de subnotificação em razão da própria
natureza da violência de gênero, em que questões como medo, pressão
familiar, vergonha, afeto, dentre outras, podem fazer com que as vítimas
deixem de registrar”, ressalta o documento.
Por conta do movimento reivindicatório dos agentes da Polícia Civil
nos três primeiros meses de 2017, o Dossiê Mulher 2018 não fez análises
comparativas com dados anteriores, já que, no período, apenas flagrantes
e ocorrências de crimes graves eram registrados. Segundo a publicação,
os dados podem ter sido impactados pela greve.
A equipe de reportagem tentou contato com a titular da Delegacia
Especializada no Atendimento à Mulher de Campos (Deam), Ana Paula de
Oliveira Carvalho, para comentar os números de violência contra a
mulher, mas não recebeu retorno.
Para ativista, rede de atendimento é falha no município
Para a integrante da OAB Mulher – Campos, Margarida Estela Mendes do Nascimento, a rede de atendimento à mulher vítima de violência doméstica em Campos é falha. Com a experiência de quem milita na cidade há cerca de duas décadas, Margarida aponta a falta de um centro especializado de atendimento às mulheres que sofreram violência, assim como um centro para atender aos agressores.
Para a integrante da OAB Mulher – Campos, Margarida Estela Mendes do Nascimento, a rede de atendimento à mulher vítima de violência doméstica em Campos é falha. Com a experiência de quem milita na cidade há cerca de duas décadas, Margarida aponta a falta de um centro especializado de atendimento às mulheres que sofreram violência, assim como um centro para atender aos agressores.
“Também é necessário implantar uma casa de passagem e estruturar a
casa abrigo, sem falar em um centro de atendimento destinado às mulheres
que amam demais. Este último é importante porque muitas vítimas não
conseguem se livrar de seus agressores. Junto com a Delegacia
Especializada no Atendimento à Mulher, todos esses mecanismos formam a
rede de atendimento ideal”, analisou Margarida.
Política pública
A secretária de Desenvolvimento Humano e Social, Sana Gimenes, explica que desde 2017 a prefeitura articula com os demais órgãos como a Deam e Ministério Público, por exemplo. “Constantemente fazemos eventos para estreitar estas parcerias. Em razão disso, a prefeitura vem buscando as melhores formas de atendimento junto à Deam, inclusive com cessão de mão de obra para atendimento ao público. Estamos em conversa para viabilizar a reestruturação da Casa da Mulher Benta Pereira, para que ela se torne, também, uma casa de passagem. Mas o processo não é tão simples, pois há questões técnicas e legais envolvidas e que estão sendo tratadas. Além disso, nossa equipe tem buscado trazer para o município o Centro Especializado em Atendimento à Mulher (Ceam). Questões ligadas à implantação do Ceam na cidade estão sendo tratadas desde o início de 2017, mas também dependem de convênio firmado entre os governos Federal e Estadual. A implantação do Ceam é uma das políticas que realmente queremos implementar o mais breve possível”, pontuou a secretária.
A secretária de Desenvolvimento Humano e Social, Sana Gimenes, explica que desde 2017 a prefeitura articula com os demais órgãos como a Deam e Ministério Público, por exemplo. “Constantemente fazemos eventos para estreitar estas parcerias. Em razão disso, a prefeitura vem buscando as melhores formas de atendimento junto à Deam, inclusive com cessão de mão de obra para atendimento ao público. Estamos em conversa para viabilizar a reestruturação da Casa da Mulher Benta Pereira, para que ela se torne, também, uma casa de passagem. Mas o processo não é tão simples, pois há questões técnicas e legais envolvidas e que estão sendo tratadas. Além disso, nossa equipe tem buscado trazer para o município o Centro Especializado em Atendimento à Mulher (Ceam). Questões ligadas à implantação do Ceam na cidade estão sendo tratadas desde o início de 2017, mas também dependem de convênio firmado entre os governos Federal e Estadual. A implantação do Ceam é uma das políticas que realmente queremos implementar o mais breve possível”, pontuou a secretária.
Assistência Judiciária
Já a Superintendência de Justiça e Assistência Judiciária informou que, por meio de parceria com a Delegacia da Mulher, oferece serviços de atendimento às vítimas de violência doméstica, com a intenção de que estas vítimas tenham respaldo na Vara de Família, com um atendimento imediato para regulamentação de visitas, guarda dos filhos, partilha de bens, pensão alimentícia e outras possíveis necessidades como divórcio e dissolução de união estável. A Superintendência conta com 14 núcleos de atendimento espalhados pela cidade e também faz o acompanhamento de processos referentes à violência doméstica, especialmente quando há medida protetiva.
Já a Superintendência de Justiça e Assistência Judiciária informou que, por meio de parceria com a Delegacia da Mulher, oferece serviços de atendimento às vítimas de violência doméstica, com a intenção de que estas vítimas tenham respaldo na Vara de Família, com um atendimento imediato para regulamentação de visitas, guarda dos filhos, partilha de bens, pensão alimentícia e outras possíveis necessidades como divórcio e dissolução de união estável. A Superintendência conta com 14 núcleos de atendimento espalhados pela cidade e também faz o acompanhamento de processos referentes à violência doméstica, especialmente quando há medida protetiva.
“Após a violência doméstica, a Lei Maria da Penha protege esta mulher
com uma série de mecanismos como a medida protetiva, que proíbe contato
do agressor com a vítima. Porém, muitas vezes, a mulher tem filhos com o
agressor e precisa procurá-lo para cobrar a pensão, entre outras
situações, e fica exposta novamente ao risco de agressão. Queremos
evitar que elas fiquem perdidas e que acabem desistindo dos processos. É
muito importante que em caso de risco de violência se estipule, por
exemplo, quem levará os filhos para visitar o pai e assim evitar o
contato da vítima com o agressor. Esses são mecanismos importantes para
evitar reincidência de violência”, explicou Mariana Lontra,
superintendente de Justiça e Assistência Judiciária. Para outras
informações, a população pode entrar em contato pelo telefone (22) 98175
-1915.

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