BRASÍLIA - Primeira mulher confirmada para comandar uma pasta no governo
Jair Bolsonaro (PSL), a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS),
escolhida para o Ministério da Agricultura, disse na noite desta
quarta-feira, 7, esperar "corresponder" à expectativa do setor
produtivo. Tereza afirmou ainda que é preciso ter cuidado com o que fala
"porque o mercado é sensível". A nova ministra deve se reunir com o
presidente eleito, pela primeira vez após o anúncio de seu nome, na
manhã desta quinta-feira, 8, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB),
em Brasília.
"O governo e a transição estão muito abertos ao diálogo. Temos de ter
cuidado com o que vamos falar porque o mercado é sensível. Qualquer fala
fora do tom pode prejudicar a abertura de mercado. Temos até 31 de
dezembro para apresentar à sociedade o que é a cara do governo
Bolsonaro", afirmou Tereza Cristina ao deixar o prédio onde mora, na Asa
Norte, o mesmo edifício em que o presidente eleito também ocupa um
apartamento funcional.
Apesar disso, ela afirmou que ainda não conversou com Bolsonaro. "Tive
vontade de visitá-lo, mas vou cumprir a liturgia porque ele é presidente
eleito."
Indicada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e pelo Instituto Pensar Agro,
Tereza Cristina, de 64 anos, disse que ficou "honrada e feliz" com a
indicação. "Espero corresponder ao que o setor produtivo espera de mim.
Sou agrônoma e a vida toda trabalhei com o setor. Temos desafios grandes
pela frente. Que Deus me proteja."
Ao ser questionada sobre o que pretende fazer no ministério, completou:
"Prefiro sentar lá com eles para ver o que querem de mim e dar minhas
opiniões. Temos muitos mercados a conquistar. Tudo indica que neste ano
teremos uma grande safra novamente. Precisamos de crédito, estradas,
infraestrutura".
Tereza Cristina disse ainda que a possibilidade de fusão dos
Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, agora descartada pela
equipe de Bolsonaro, causou "mal-estar". "Hoje existem muitas barreiras
comerciais, que são protecionistas lá fora. Esse é um assunto que causou
mal-estar. Para que fazer a fusão se a gente teria mais ônus do que
bônus. Mas tenho certeza que ele dará sua cara ao Ministério do Meio
Ambiente", afirmou ela.
A deputada defende, porém, que a Agricultura fique com programas ligados
a agricultura familiar, pesca e com o Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra), atualmente atrelados a outros ministérios.

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