Os Paralamas do Sucesso se apresentam pela terceira vez no festival João
Rock, que acontece em 15 de junho, em Ribeirão Preto. O grupo é um dos
nomes mais importantes da cena do rock nacional, além de um dos mais
longevos. São quase 40 anos de estrada desde o lançamento do primeiro
disco em 1983.
Em pleno 2019, a banda mantém a mesma formação que a consagrou como um
dos pilares do estilo. Em entrevista ao Terra, o baterista João Barone
fala sobre o momento atual da banda.
Terra: Como é tocar rock em pleno 2019, numa época em que os
estilos predominantes no mainstream são o funk, o sertanejo e afins?
João Barone: Eu acho que a geração dos anos 80 teve um
papel preponderante no histórico do rock brasileiro. O que foi feito
naquela época ecoa até hoje. Os festivais de rock acontecem e tem sempre
um público fiel, e eu acho desmedido comparar rock com sertanejo,
pagode, axé, seja lá o que for.
Terra: Vocês lançaram o primeiro LP em 1983, e estão rumando a
40 anos de carreira. A que se deve o fato de os Paralamas se manterem
relevantes, em um cenário no qual muitas bandas da sua geração foram
apagadas pelo tempo ou não existem mais?
João Barone: É muito difícil explicar de uma maneira
muito prática. A gente acredita que é um somatório de fatores. É a
mensagem, o conteúdo, a forma que a gente embrulha a nossa música e
manda para o público. Acima de tudo, é uma linha muito realista, sincera
e direta. Acho que a gente conseguiu uma exposição muito grande ao
longo deste tempo todo e ela reflete esse retorno que nós temos.
Terra: Ao analisarmos as letras do Paralamas e de outras bandas
de sua geração, havia um fator de protesto muito grande nas letras. Você
acha que esse papel atualmente é delegado a outros gêneros e o rock
deixou de ser a voz da rebeldia?
João Barone: Eu acho que é mais o que a gente fez antes
que continua muito atual, as músicas mais críticas à sociedade e à
política. Parece que a gente ficou com um certo bode de parecer muito
panfletário, porque o que nós falamos naqueles tempos continua muito
atual. Dá um certo bode de ter que ficar repetindo, pisando na mesma
grama. De alguma forma, o Hip hop acabou ocupando este espaço da
crítica, da coisa mais ácida e mais realista do dia-a-dia, e é muito
válido. Tem muita gente boa, muita gente já estabelecida na cena do Hip
hop fazendo isso de uma maneira muito legal e original.
Terra: Vocês já tocaram muitas vezes no João Rock, e neste ano
se apresentam de novo. É uma questão de afinidade, no sentido do
festival ter a cara de vocês?
João Barone: A gente teve a sorte de ser convidado para
tocar desde a primeira edição, em 2002. A gente já perdeu a conta de
quantas vezes participamos, e o João Rock foi crescendo. Virou um evento
bastante concorrido, representativo da cena do rock brasileiro. É legal
poder participar por mais um ano e ver que o evento ainda tem esse
peso, essa importância na cena local.
Terra: E o que a galera pode esperar do show de vocês no João Rock?
João Barone: A gente vai mostrar um apanhado de grandes
sucessos do Paralamas. Estamos fazendo um show baseado na turnê do
álbum “Sinais do Sim” (2017) e é um grande evento, temos que concentrar o
fogo nas músicas mais conhecidas. Vai ser um momento oportuno pra gente
mostrar para uma grande plateia a configuração atual do nosso show, vai
ser uma alegria e uma festa total. Com certeza vão ter algumas
surpresas no setlist, mas vamos deixar isso pra hora que a gente subir
no palco.

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