A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) adiará julgamento
previsto para terça-feira do recurso da defesa do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva que pede a anulação do processo do tríplex do
Guarujá (SP), pelo qual o petista foi condenado e está preso, alegando
que houve atuação parcial do então juiz do caso e atual ministro da
Justiça, Sergio Moro.
O recurso --um habeas corpus-- foi incluído pela presidente da turma,
ministra Cármen Lúcia, como 12º item da pauta de julgamentos. Por essa
razão, o ministro Gilmar Mendes, que iria apresentar o seu voto-vista,
concluiu que não haverá tempo hábil na sessão de terça-feira para
apreciar o caso e já pediu a seu gabinete para formalizar o adiamento do
julgamento, de acordo com o gabinete do ministro.
Dessa forma, o caso só deverá ser apreciado no segundo semestre, sem
data marcada. No momento, o placar do julgamento está 2 a 0 contra o
pedido de Lula. Faltam votar, além de Mendes, os ministros Ricardo
Lewandowski e Celso de Mello.
A defesa de Lula defende a anulação do processo do tríplex após terem
vindo à tona recentemente reportagens do site Intercept Brasil que cita
supostas conversas de Moro, ex-juiz da Lava Jato, e o chefe da
força-tarefa da operação no Ministério Público Federal, Deltan
Dallagnol. Nos supostos diálogos, teria havido direcionamento de Moro a
ações do MPF no caso de Lula.
Tanto o ministro quanto o procurador negam qualquer irregularidade.
Moro foi quem condenou o ex-presidente pela primeira vez, em 2017,
abrindo posteriormente caminho para que Lula fosse preso e passasse a
cumprir pena há pouco mais de um ano na Superintendência da Polícia
Federal em Curitiba (PR).
Na semana passada, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge,
havia encaminhado parecer ao STF contra a anulação do processo.
Em seu parecer, Dodge argumentou que as supostas conversas apontadas
pela defesa de Lula não foram apresentadas às autoridades públicas para
que a integridade fosse avaliada. Destacou também que há "fundada dúvida
jurídica" sobre os fatos relatados, o que, a seu ver, leva à rejeição
do pedido de suspeição de Moro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário