As filas de pessoas em busca de emprego em Cabo Frio
encontram eco na frieza dos números do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged), que é vinculado ao Ministério da Economia. No
primeiro semestre do ano, segundo os dados oficiais do Governo Federal, o
município perdeu 605 vagas de emprego com carteira assinada, o que
representa uma média de pouco mais de 100 postos de trabalho fechados
por mês. Ao todo, foram computadas 6.844 contratações e 7.449 dispensas
pelo órgão federal.
Em 2018, durante o mesmo período, foram extintos 471 postos de
trabalho (6.487 admissões e 6.958 demissões). Um desaquecimento no
mercado de trabalho que chega a 28% de um ano para o outro. Os números
representam a diferença entre o número de contratações e de demissões
feitas pelas empresas cabofrienses.
Apesar do número ruim, o desempenho é um pouco melhor do que de
outros anos anteriores, no período entre 2015 e 2017, quando a cidade
perdeu, em média, 940 empregos formais nos seis primeiros meses do ano.
Em 2019, o setor que mais contribuiu para deixar a estatística ano
vermelho foi o comércio, historicamente dependente da alta temporada.
Sozinho, o setor foi o responsável pela perda de 857 empregos formais.
As lojas e estabelecimentos da cidade contrataram, entre janeiro e junho
deste ano, 2.639 pessoas e demitiram 3.496. Outro segmento que vive
dias de inércia é o de construção civil, que extinguiu 89 vagas de
trabalho formal (108 contratações e 197 demissões).
Na parte de cima da gangorra, o destaque é a indústria de
transformação, que gerou 250 vagas com carteira assinada na primeira
metade do ano. Nesse período, foram contratadas 485 pessoas e outras 235
foram demitidas. O setor de serviços, ligado à hotelaria e turismo,
gerou 22 vagas formais de emprego. Contratou muito (3.424), mas demitiu
praticamente na mesma proporção (3.402). O setor de agropecuária,
extrativismo vegetal, caça e pesca também ficou no azul: 34 vagas
criadas (97 admissões e 63 dispensas).
Também no primeiro semestre, a Região dos Lagos, como um todo, perdeu
596 postos de trabalho. Já no Estado do Rio de Janeiro, foram ceifados
5.725 postos de trabalho. Segundo o Caged, o país caminha na contramão:
foram 374.433 empregos criados apenas nos seis primeiros meses deste
ano.
Mas nem tudo é lamúria quando se trata do cenário do emprego de um
município mergulhado numa crise administrativa há, pelo menos, quatro
anos. Levando-se em conta apenas o mês de junho, Cabo Frio teve o melhor
desempenho dos últimos cinco anos. As firmas cabofrienses geraram 155
empregos apenas no sexto mês do ano, dando sinais de reação no mercado
de trabalho. Foram 1.199 contratações e 1.044 demissões nos 30 dias do
mês. Em 2018, a balança ficou positiva em 43 empregos (1.104 admissões e
1.061 demissões). Um aumento de 260% de um ano para o outro.
A indústria de transformação deu mostra de vigor e fechou o mês de
junho com 281 vagas abertas (304 contratações contra apenas 23
demissões). O segmento de serviços abriu 51 postos de trabalho (511
admissões e 460 dispensas). Comércio foi o destaque negativo, com o
fechamento de 140 postos formais de trabalho, seguido pela construção
civil, que perdeu outras 22 vagas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário