O Juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, coordenador e corregedor dos
presídios de São Paulo, autorizou nesta quarta-feira, 7, a transferência
do ex-presidente Lula para a penitenciária II de Tremembé,
no Vale do Paraíba, interior paulista. Em despacho, de 14 linhas, Sorci
se refere à decisão da juíza Carolina Lebbos da 12ª Vara Federal de
Curitiba, que acolheu pedidos da Polícia Federal e da defesa, e permitiu
a transferência do petista para São Paulo.
No despacho, divulgado no início da tarde, Sorci defere o requerimento
de Carolina Lebbos e autoriza a transferência do petista de Curitiba
para a Penitenciária II de Tremembé, no Vale do Paraíba. O local é
conhecido por abrigar presos que ficaram conhecidos do público, por isso
foi batizado de "presídio dos famosos."
O ex-presidente está preso na Superintendência da Polícia Federal na
capital paranaense desde abril do ano passado. Lula foi condenado no
processo do Tríplex no Guarujá. Considerou-se que a reforma do imóvel,
feita pela construtora OAS, foi uma forma de pagar propina ao político.
Ele cumpre pena de oito anos, dez meses e 20 dias de prisão por
corrupção e lavagem de dinheiro.
A transferência do ex-presidente para outro estabelecimento fora
solicitada pela própria PF, que alegou transtorno ao funcionamento do
órgão por conta da aglomeração de pessoas no entorno da superintendência
e do grande dispêndio de recursos para lidar com o grande número de
visitas ao apenado.
"Em relação ao local de custódia, tem-se, a cada dia, a contínua e
permanente sobrecarga imposta à Polícia Federal, em termos de recursos
humanos e financeiros", concordou a juíza Carolina Lebbos.
Ela acrescentou que "a situação ora verificada tem trazido, a cada dia,
contínuo e crescente prejuízo ao interesse público, com o emprego de
recursos humanos e financeiros destinados à atividade policial na
custódia do apenado".
Ao determinar a transferência para São Paulo, Lebbos atendeu a um
pedido da defesa, que argumentou ser aquele o estado de residência da
família de Lula. Porém, a defesa critica a decisão, alegando que a
Justiça não assegurou uma Sala de Estado Maior para Lula em São Paulo.
O Ministério Público Federal (MPF) havia se manifestado contrário à
transferência, entre outros argumentos por Lula ainda responder a outras
ações penais na Justiça Federal do Paraná. Carolina Lebbos, porém,
frisou que tais procedimentos já tiveram instrução encerrada, não mais
justificando a permanência do réu em Curitiba.
A magistrada determinou ainda que seja considerada a situação peculiar
do ex-presidente, que deve ter sua segurança garantida pelo Estado, em
estabelecimento adequado para tal. Ainda não foi divulgado o local onde
Lula ficará preso em São Paulo.
Essa é a única condenação em segunda instância do petista até agora --
ou seja, único caso pelo qual ele poderia ser preso. O político, porém,
enfrenta outros processos.
Em primeira instância, ele foi condenado a prisão devido a supostas
irregularidades que envolvem um sítio em Atibaia. Esse processo estaria
próximo de ser julgado também pela segunda instância.
Nenhum comentário:
Postar um comentário