A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, por 22 votos a 1, um projeto de lei autorizando a prisão após condenação em segunda instância.
O tema ganhou força no Congresso com a decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF), em novembro, de exigir a tramitação completa de um
processo judicial para que um condenado seja preso.
Apenas o senador Rogério Carvalho (PT-SE) votou contra o projeto.
Outros parlamentares contrários à proposta não compareceram à sessão da
CCJ. A proposta ainda passará por um turno extra de votação na comissão
nesta quarta-feira, 11, já que houve alterações substituindo o texto
original.
O projeto poderá ser enviado diretamente para a Câmara depois da
tramitação concluída na comissão, por ser classificado como terminativo.
Senadores devem, no entanto, levar o texto para o plenário. A tendência
é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), segure o texto
até a Câmara concluir a votação de uma proposta sobre o tema.
O texto foi escrito por senadores com o ministro da Justiça e Segurança
Pública, Sérgio Moro, e recupera trecho do pacote anticrime que foi
retirado pela Câmara. A proposta altera o Código de Processo Penal
prevendo que o tribunal de segunda instância determinará a execução
provisória da pena ao proferir a condenação.
Apesar de autorizar a prisão após condenação em segunda instância, o
projeto é flexível. Pela proposta, o tribunal poderá, excepcionalmente,
deixar de autorizar a prisão "se houver questão constitucional ou legal
relevante".
O projeto prevê ainda que o Supremo e o Superior Tribunal de Justiça
(STJ) poderão suspender a prisão, se o recurso "não tiver propósito
meramente protelatório" e "levantar questão constitucional ou legal
relevante" que possa resultar em liberdade.
Como revelou a relatora da proposta, Juíza Selma (PODE-MT), ao
Broadcast Político o texto precisou ser flexibilizado para que fosse
possível a votação. O presidente da comissão especial da Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) que trata sobre o tema na Câmara, Marcelo
Ramos (PL-AM), classificou o projeto do Senado como uma "gambiarra".
A proposta deixa aberta uma questão central na discussão: se a prisão
em segunda instância, após eventual sanção presidencial, atinge
condenações anteriores, como a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. A relatora Juíza Selma entende que sim. Outros senadores e
juristas, no entanto, afirmam que há um impasse sobre a interpretação do
alcance.
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