O primeiro dos 40 brasileiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) que fugiram domingo (19) da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, no Paraguai,
foi recapturado na manhã desta segunda-feira (20) em Ponta Porã, no
lado brasileiro da fronteira. De acordo com o secretário da Justiça e
Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, o preso
foi capturado em um dos bloqueios do Departamento de Operações de
Fronteira (DOF), unidade especializada que atua na região.
Desde domingo, cerca de 500 quilômetros da fronteira com o Paraguai
estão com barreiras montadas pelas forças do Estado e da União na
tentativa de evitar a entrada dos fugitivos no Brasil. O homem de 30
anos foi abordado em um dos bloqueios, em Ponta Porã, e levado para a
delegacia da Polícia Civil para identificação. Conforme o secretário,
ele é de Imperatriz, no Maranhão, e cumpria pena no Paraguai por tráfico
de drogas havia quatro anos. Conforme o secretário, ainda será decidido
o destino do recapturado.
No Paraguai, a ministra da Justiça, Cecilia Pérez, baixou resolução na
tarde de domingo, 19, decretando intervenção na penitenciária de Pedro
Juan Caballero. A medida foi tomada após a fuga. O diretor do presídio,
Christian González, foi demitido do cargo e colocado à disposição da
Justiça.
A ministra designou como interventor Domingo Antonio Bazan Rojas, que
respondia pela penitenciária regional de Concepción. Segundo a
assessoria de imprensa da pasta, a ministra determinou também a revisão
dos procedimentos de segurança em todos os presídios que abrigam presos
de facções criminosas no Paraguai. As férias de funcionários foram
suspensas e houve determinação de que todos se apresentem a seus postos
de trabalho na manhã desta segunda, como medida de segurança. A
estimativa das autoridades paraguaias é de existirem cerca de 600
detentos ligados ao PCC, a facção brasileira que controla a maioria dos
presídios.
Ainda segundo a assessoria, os 30 funcionários estavam sendo ouvidos
pela Justiça na manhã desta segunda (20). Também foi aberta uma
investigação interna para apurar possível participação na fuga. "É alta a
possibilidade de envolvimento de funcionários corruptos da
penitenciária na fuga dos integrantes do PCC, porque é impossível que
não tenham visto a quantidade de areia em uma das celas. Não é possível
que os funcionários não tenham podido ver uma saída (buraco) no
perímetro da penitenciária. Há uma evidente conivência", afirmou a
ministra, em nota.
Após a fuga, uma vistoria encontrou cerca de 200 sacos de areia
amontoados em uma cela, o que reforçou a suspeita de omissão ou
conivência de funcionários. Em outubro de 2018, a polícia paraguaia
descobriu um túnel em construção em uma casa vizinha da penitenciária de
Pedro Juan Caballero. A obra tinha estrutura para comportar a passagem
de até três pessoas por vez. O corredor subterrâneo já havia
ultrapassado o muro do presídio, quando foi descoberto. Na ocasião, as
autoridades do sistema penitenciário informaram que o túnel serviria
para fuga de 90 integrantes do PCC e chegaram a comemorar o fato do
plano de fuga ter sido frustrado.
No domingo, a ministra chegou a colocar o cargo à disposição do
presidente Mario Abdo Benitez, mas ele não aceitou o pedido. No ano
passado, o então titular da pasta, Julio Rios, foi demitido após o
resgate de Jorge Samudio, um dos líderes do Comando Vermelho, outra
facção brasileira que atua no Paraguai. Samudio foi libertado após um
ataque ao comboio que o levava para prestar depoimento no Palácio de
Justiça. Um policial que fazia parte da escolta foi morto na ação. Ele
já estava com o cargo em risco, quando duas rebeliões organizadas pelo
PCC deixaram 10 mortos e 18 feridos.

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