quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Por que duas jornalistas da Globo foram citadas em discurso da presidente do STF

 

Deferência de Rosa Weber repercutiu entre colegas de TV de Miriam Leitão e Eliane Cantanhêde Na sessão de abertura do Ano Judiciário, a presidente do STF, ministra Rosa Weber, surpreendeu ao incluir entre os agradecimentos às autoridades presentes uma citação a Miriam Leitão e Eliane Cantanhêde.

Entre as dezenas de profissionais de imprensa no plenário, elas foram as únicas jornalistas a merecer atenção especial. Há diferentes motivos para a homenagem.


Veteranas do jornalismo político, Miriam e Eliane conquistaram a confiança de alguns ministros. Conseguem informações exclusivas diretamente de gabinetes da mais alta Corte do País.

Na TV, ambas fizeram a defesa enfática do STF nos momentos de maior hostilidade contra o Judiciário, inclusive na cobertura dos ataques promovidos por extremistas em 8 de janeiro.

Sabe-se que Miriam Leitão suscitou a solidariedade de Rosa Weber por ter sido um alvo frequente da verborragia desrespeitosa de Jair Bolsonaro e seus aliados da extrema-direita nos últimos quatro anos.

Recentemente, a jornalista – torturada na ditadura quando estava grávida – foi ofendida também pelo procurador-geral da República, Augusto Aras.

“Essa senhora parece que tem um fetiche comigo, talvez porque eu não tenha atendido às matérias seletivas para ela e à família dela. Essa senhora foi cortada da seletividade que tinha na Operação Lava Jato. E, provavelmente, o jornal dela ganhou mais dinheiro do que com a novela das 8”, disse o chefe do Ministério Público Federal em entrevista ao site BNews.

Ao citar “família dela”, Aras se referiu aos filhos de Miriam, o repórter da TV Globo em Brasília Vladimir Netto e o colunista de ‘Veja’ Matheus Leitão. O jornal mencionado é ‘O Globo’, o principal veículo impresso da família Marinho.

A insinuação de ‘fetichismo’ feita pelo procurador-geral para atingir Miriam Leitão foi duramente criticada por âncoras e comentaristas de TV, não apenas da Globo e GloboNews, como de outros canais.

Horas após a sessão de segunda-feira (1) no STF, colegas da jornalista foram cortantes ao analisar a participação de Augusto Aras no plenário. “Ele recebeu aplausos desmilinguidos”, afirmou Eliane Cantanhêde no ‘Jornal das Dez’. “Houve um movimento coletivo de desprezo”, opinou Gerson Camarotti.

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