sábado, 6 de abril de 2013

Jovem de SJB é morto no Jacarezinho




A morte do sanjoanense Aliélson Nogueira, 21 anos, durante um confronto entre moradores e militares da UPP do Jacarezinho vem causando revolta em todo Estado. O jovem que não tinha passagem pela polícia e trabalhava em um galpão de reciclagem foi atingido por um tiro na cabeça e as circunstâncias estão sendo apuradas.

A  informação inicial é a de que a vítima foi morta por bala perdida. Na casa do rapaz no Jacarezinho, há vários diplomas de cursos de informática e cartas da mãe com o endereço do município de São João da Barra, onde ele já havia morado com ela e mais três irmãos.

De acordo com o pai da vítima, Aliéser Gomes Barreto, o corpo do filho foi liberado na tarde desta sexta-feira do Instituto Médico Legal, no Rio, e está sendo trazido para a localidade de Capela São Pedro, no 5º Distrito, onde vive a mãe. O sepultamento ocorrerá neste sábado entre 11h e 13h no cemitério do Açu. "Neste momento a gente ainda está vivendo este drama da liberação do corpo e sepultamento, mas vamos buscar Justiça pela morte dele.

Meu filho era trabalhador e estava no Rio em busca de uma vida melhor", destacou o pai, ressaltando que a última vez que esteve com o filho pessoalmente foi durante o Carnaval, quando ele esteve visitando a família.

A namorada de Aliélson, a manicure Thinamar de Oliveira, 20 anos, vinha passar os fins de semana com o rapaz e está grávida de três meses. Por conta da gravidez, ela passou a morar com a mãe em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Segundo o primo dele, Jocinei dos Santos Gomes, 39 anos, Aliélson levou um tiro na cabeça quando estava comendo um cachorro quente. Relatos dos moradores dão conta que um PM que mora na comunidade teria feito os disparos.

De acordo com as primeiras informações, o confronto começou na Rua do Rio. Um adolescente teria sido abordado pelos PMs e reagido. A irmã do jovem teria entrado na confusão e os policiais dispararam tiros para o alto. Moradores revidaram com pedradas, que acertaram um dos PMs. Após a reação, os policiais se refugiaram em um beco e atiraram contra a multidão.

Um amigo do rapaz, o pedreiro Wellington Freire da Silva, de 33 anos, acusou os PMs de despreparo. "Os policiais da UPP são novos e despreparados. Eles chegaram nos becos atirando. Na confusão, eles jogaram até spray de pimenta na gente", relatou.

O comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Jacarezinho, major Cláudio Haliki, afirmou nesta sexta-feira que a população da comunidade deve se acostumar com as abordagens dos policiais. O major reiteirou, nesta sexta-feira, a dificuldade deste momento inicial da pacificação e disse não ter informações sobre uma suposta truculência dos PMs.

— A UPP está no local há pouco tempo e a população não aceita a abordagem. É uma questão de se acostumar, a abordagem é necessária e vai continuar — afirmou o comandante, em entrevista ao RJTV.

De acordo com a assessoria das UPPs, o policial ficou ferido com uma pedrada na cabeça.

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