Vice-governador até então, Luiz Fernando Pezão assume o governo do Rio de Janeiro a partir desta sexta-feira (4). O ocupante anterior do cargo, Sérgio Cabral, entregou sua carta de renúncia à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (3), para se candidatar ao Senado Federal. Pezão, por sua vez, vai disputar a eleição para governador, em outubro. A ideia da renúncia de Cabral é que os cariocas conheçam o trabalho de seu vice-governador antes da eleição. A cerimônia de posse será no Palácio Guanabara, às 10h30 desta sexta.
Dono de sapatos tamanho 47,5, Pezão alavancou sua carreira política em Piraí, no Sul Fluminense, onde foi prefeito por dois mandatos. Em 2006, quando Cabral foi eleito, acumulou os cargos de vice-governador e de secretário estadual de Obras. Na função, esteve envolvido diretamente com o planejamento das obras do Programa de Aceleração Econômico (PAC) em favelas cariocas e com a tarefa de organizar o auxílio à Região Serrana após as chuvas de 2011. Em setembro do mesmo ano, deixou o cargo de secretário de Obras para maior dedicação ao vice-governo.
A renúncia de Cabral foi escrita em uma carta, lida pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Paulo Melo (PMDB), pouco depois das 16h30 desta quinta. Cabral cumpriu dois mandatos, eleito em 2006 e reeleito em 2010, no primeiro turno. Teve bons resultados, principalmente na área de segurança, com a criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Desde 2013, no entanto, após as manifestações iniciadas em junho, o governador viu sua popularidade cair.
O governador celebrou os números das votações que o elegeram. "Não tenho do que me queixar com a população do Rio de Janeiro. Fui o governador mais votado da história em 2006 e em 2010. Graças a Deus, temos democracia e rodízio de poder. Minha gratidão é eterna.”
Em outubro de 2006, Cabral teve 5,1 milhões de votos, 68% do total, e venceu a disputa contra a candidata Denise Frossard (PPS) no segundo turno. Em 2010, recebeu 5,2 milhões votos (66,08%), desbancando o candidato Fernando Gabeira (PV) já no primeiro turno. Menos de três anos após a reeleição, no entanto, uma pesquisa do Datafolha apontou que, no auge de sua popularidade, em novembro de 2010, Cabral tinha 55% de aprovação. Em novembro de 2013, a aprovação passou para 20%, 35 pontos percentuais a menos.
As manifestações que tomaram as ruas do Rio a partir da Copa das Confederações, em junho de 2013, expuseram a baixa de popularidade do governador e fizeram de Cabral um dos principais alvos das críticas. A residência do governador no Leblon, bairro nobre da Zona Sul, virou um acampamento de ativistas, o "Ocupa Cabral".

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