terça-feira, 14 de outubro de 2014

Historinha campista

O saudoso amigo Raul Abbot Escobar, advogado, tabelião e político, contava “causos” da “arca da velha”. Ele deixou, inclusive, um livro contando umas e outras sobre muita gente. Raul Escobar fez parte de vários grupos boêmios da cidade.

Segundo Raul Escobar, o carnavalesco Salvador Leitão, tam-bém conhecido por Salvador “Brinquinho”, pertencente – se não me falha a memória – ao Grupo “Topa Tudo”, ao Bloco Carnavalesco “Prazer das Morenas” e fundador do Bloco de Rua “Pega Veado”, era do “c... riscado e da beirada carijó”.

Gostava de tomar umas cervejas e uns tragos, e lá pras tantas aprontava. Certa vez, no tempo que velório dava “festa”: licor, vinho fino, salgadinhos, café, pão de queijo, etc., Salvador e seu grupo boêmio saíram à procura de um velório e encontraram um.

Casa cheia, muito choro, tristeza e deliciosos quitutes e doses de licor e vinho. Salvador, gozador, que já estava “pra lá de Bagdá”, entrou, comeu, comeu, bebeu, bebeu e depois resolveu perguntar:

- Minha senhora, por favor, quem é o morto?

Resposta da chorosa carpideira:

- “Seu” Chico. Homem bom, honesto e amigo. Homem messs-mo, com “h” maiúsculo.

Salvador, então, diante desses elogios, decidiu comprovar e eis o espanto:

- Minha turma, sabe quem é esse machão do Chico? É “Chico Veado”!

Realmente era um homossexual. E foi aquela confusão.

(*) Jornalista.

(Do livro “Pequenas Histórias Verídicas de

Campos dos Goytacazes” – 2008, esgotado.
Breve nova edição revista e aumentada).

Nenhum comentário:

Postar um comentário