terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Demissão em massa: setor naval tem mais uma baixa no Estado do Rio


Em crise, o setor naval teve mais uma baixa no Estado do Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira (14), o estaleiro Eisa, na Ilha do Governador, fechou as portas e demitiu três mil trabalhadores. Alguns foram avisados por cartas enviadas no último fim de semana. Mas a maioria dos funcionários foi pega de surpresa ao chegar pela manhã e se deparar com os portões lacrados com tapumes.
Indignados, seguiram em manifestação pela via de acesso do aeroporto internacional Galeão, onde opera a companhia aérea Avianca, do mesmo grupo controlador do Eisa, o Synergy, do empresário German Efromovich.
Só neste ano, vinte mil pessoas já foram demitidas no setor naval brasileiro - cinco mil deixaram o grupo Synergy no segundo semestre. Além dos demitidos nesta segunda no Eisa, o grupo já havia cortado duas mil vagas no Estaleiro Mauá, em Niterói, que fechou as portas em julho.
No fim de novembro, em Angra dos Reis (RJ), foi a vez do Brasfels, do grupo de Cingapura Keppel Offshore & Marine, anunciar a extinção de dois mil postos de trabalho. Antes deles, o Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Recuperação Naval Offshore (Sinaval) já contava doze mil demissões em diversos estados.
Vitrine dos governos petistas, o setor naval entrou em crise quando fornecedores da Petrobras passaram a ter problema com a Polícia Federal, que investiga casos de corrupção na Operação Lava Jato. Com as denúncias, bancos e instituições de fomento reforçaram o controle para a liberação de financiamentos, dificultando o acesso ao capital. Além disso, o corte do orçamento da Petrobras atingiu também o caixa das fornecedoras.
Ao demitir, os estaleiros alegam que são obrigados a cortar custos ou mesmo fechar as portas, porque não estão sendo pagos pelos seus clientes, a maioria fornecedores da Petrobras. Entre os trabalhadores, o temor é reviver a crise dos anos 80, quando o setor foi praticamente extinto no Brasil.
Em carta enviada a trabalhadores, a direção do Eisa afirmou que "algumas situações complicaram a situação econômica da empresa, tais como: cancelamento de alguns contratos pelos armadores, inadimplência de clientes, e dificuldade de dinheiro pelos bancos públicos". No documento, a empresa disse que investiu no Eisa neste ano e se esforçou para manter o estaleiro aberto, mas não teve sucesso nas negociações com bancos e armadores. Em julho de 2014, a operação chegou a ser interrompida e os funcionários foram colocados em férias coletivas, até que a empresa encontrasse uma solução financeira.

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