Foi apenas a estreia. Foi também uma ducha de água fria no entusiasmo
da seleção olímpica o empate por 0 a 0 com a África do Sul, no estádio
Mané Garrincha, em Brasília, nesta quinta-feira. A equipe não fez um bom
jogo. Mesmo com um a mais, teve muita dificuldade contra uma equipe
segura e bem armada. Deu mostra de que precisa melhorar muito para
brigar pela sonhada medalha de ouro. Saiu vaiada de campo, pois ficou
devendo.
Neymar, capitão e craque do time, teve atuação discreta. Tentou jogadas
individuais, concluiu com perigo a gol, mas ficou longe do que dele se
espera. Também precisa evoluir, quem sabe já na segunda partida,
domingo, contra o Iraque, também em Brasília.
A seleção brasileira já terminou o primeiro tempo vaiada por parte dos
torcedores. Uma parte pequena, e a vaia acabou sendo tímida e curta,
ofuscada por aplausos. Mas a frustração, medida pelo pouco entusiasmo do
torcedor durante quase toda a primeira etapa se justificava.
Criou-se grande expectativa sobre o desempenho da seleção, pelo talento
da garotada liderada por Neymar, pela proposta ofensiva do técnico
Rogério Micale e pelo otimismo fruto dos bons resultados dos intensos
treinamentos.
Uma das máximas do futebol, no entanto, diz que treino é treino e jogo é
jogo. E ela pôde ser usada nesta quinta. A África do Sul foi ao gramado
com uma proposta bem simples para conter o time brasileiro: se armou
com duas linhas de quatro e dois homens mais adiantados, mas todos
posicionamento num pequeno espaço.
Assim, encurtou o campo, e o congestionou. Deixava a seleção brasileira
tocar a bola, mas não abria espaços para que Neymar e companhia pudesse
ameaçar com intensidade o goleiro Khune. Propôs ao Brasil um jogo de
paciência, dificultado pela ansiedade que talvez o fato de ser a estreia
justifique.
O Brasil não conseguia se movimentar - Neymar estava muito estático
pela esquerda, de onde tentava jogadas individuais, normalmente
infrutíferas -, não chegava em arrancadas e as tabelas, muito vistas nos
treinos, saíam vez ou outra.
Jogadas em profundidade, pelo meio ou pelos lados, também não foram
muitas. Numa delas, Gabriel Barbosa lançou Gabriel Jesus, que não
alcançou a bola.
Assim, fora um chute de Felipe Anderson de fora da área que passou
rente à trave, as melhores chances do Brasil foram em duas chutes de
Neymar da entrada da área, que Khune desviou para escanteio. No segundo
deles, aos 40 minutos, o craque pediu o apoio da torcida, que incentivou
por breve tempo.
A África do Sul, a rigor, apesar de ter finalizado numericamente menos,
foi mais perigosa, em lances em que o bom toque de bola do time pôde
ser observado, mas em que a defesa brasileira, sobretudo os zagueiros de
área, vacilou.
O segundo tempo começou ainda pior para a seleção brasileira. Os
sul-africanos, confiantes, se soltaram um pouco. A seleção acusou essa
maior dificuldade. Perdia bolas seguidas, errava muitos passes e
mostrava descontrole, como no lance em que Gabriel Barbosa e Zeca se
atrapalharam, e mais uma bola foi perdida.
O time não produzia em campo, a torcida se irritava nas arquibancadas.
Ensaiava as primeiras vaias, quando aos 14 minutos Mvala, que instantes
antes havia recebido cartão amarelo fez falta duríssima em Zeca e foi
expulso.
Imediatamente, Micale apelou para o seu plano B, a única alternativa
que treinara durante a preparação: colocou o time no 4-2-4, ao trocar
Felipe Anderson por Luan. Minutos depois, para tentar dar mais fôlego e
poder de marcação, tirou Renato Augusto (jogou mal e saiu bastante
vaiado) e pôs Rafinha em campo.
O time se lançou. E se animou. Teve chances com Gabriel Barbosa e
Neymar, mas a melhor delas foi num cruzamento de Luan em que a bola
passou por Gabigol e Gabriel Jesus, sem goleiro, acertou a trave.
No entanto, os lances serviram para animar a torcida, que passou a
incentivar. Enfim, a seleção havia acordado. O gol, porém, não saía. Os
zagueiros sul-africanos estavam quase perfeitos nos desarmes e nas bolas
pelo alto e, quando eram superados, o goleiro Khune segurava tudo.
À beira do campo, Micale se desesperava, gritava, incentivava, mas
também reclamava - chegou a ser advertido pelo juiz. E, algo normal
nesses ocasiões, a pressa e a ansiedade bateram. Com o jogo se
aproximando do final, as jogadas já não eram mais trabalhadas. A
seleção, é verdade, tentou até o fim. Restou, porém, a decepção do
empate na estreia, e o consolo de que foi apenas a estreia.
Na preliminar, Dinamarca e Iraque abriram este mesmo Grupo A e ficaram
no 0 a 0. Assim, todas as quatro seleções estão emboladas na chave, com
um ponto cada.
FICHA TÉCNICA:
BRASIL 0 x 0 ÁFRICA DO SUL
BRASIL - Weverton; Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio, Douglas Santos
(William); Thiago Maia, Renato Augusto (Rafinha Alcântara), Felipe
Anderson (Luan); Gabriel, Gabriel Jesus e Neymar. Técnico: Rogério
Micale.
ÁFRICA DO SUL - Khune; Mobara, Mathoho, Coetzee e Mekoa; Mvala, Motupa,
Modiba (Ntshangase) e Dolly; Masuku (Morris) e Mothiba. Técnico: Owen
da Gama.
CARTÕES AMARELOS - Thiago Maia e Mathoho.
CARTÃO VERMELHO - Mvala.
ÁRBITRO - Antonio Mateu Lahoz (Espanha).
RENDA E PÚBLICO - Não disponíveis.
LOCAL - Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF).

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