A modernização dos terminais portuários, a expansão da carga em
contêineres e a instalação de esteiras para granéis sólidos praticamente
eliminaram o trabalho braçal nos moldes do passado. Apesar disso, o
Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) continua representando alguns
milhares de trabalhadores, sendo que muitos deles não se especializaram.
Hoje em dia, para trabalhar nos terminais, os operadores precisam saber
usar máquinas, tratores e equipamentos ultramodernos. Os velhos
guindastes móveis foram substituídos pelos portêineres - equipamentos
sob trilhos elevados, que fazem o embarque e desembarque dos contêineres
nos navios. No pátio, as velhas empilhadeiras deram lugar aos
eficientes RTGs, pórticos sobre pneus que cuidam da disposição do
armazenamento nos terminais.
Além de custar alguns milhões de reais, todos eles precisam ser usados
por pessoas habilitadas - o que tem causado conflito entre o Ogmo e os
terminais. As empresas brigam pela possibilidade de poder escolher o
trabalhador que quiser para operar esses equipamentos. Mas, pela regra
atual, qualquer terminal dentro de um porto público é obrigado a
contratar dentro do Ogmo, que durante anos teve o monopólio da
distribuição do trabalho da estiva nos portos brasileiros, em especial
dentro do complexo santista.
Os estivadores são contratados por meio de uma escala, que obedece
intervalo mínimo de 11 horas de descanso. Ou seja, há uma rotatividade
grande dos trabalhadores dentro de um terminal. O estivador que faz um
trabalho num terminal num dia poderá estar em outro local nos dias
seguintes.
"As empresas querem ter liberdade de contratação dos trabalhadores, mas
há uma resistência por parte dos sindicatos por manter os avulsos",
afirma o presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários
(ABTP), Wilen Manteli. Segundo ele, com os equipamentos modernos, os
terminais precisam constantemente mandar os trabalhadores para serem
treinados nas fábricas, a maioria no exterior. "Mas como mandar um
trabalhador avulso para um curso desses. É complicado", afirma o
executivo.
Hoje os terminais têm uma equipe própria e os trabalhadores avulsos,
que são usados para os postos de conferentes, vigias e estivadores. Cada
um deles tem um sindicato específico, além do Ogmo. "O empregador
precisa negociar com todos eles. E mesmo que queira contratar fora do
Ogmo alguém para compor sua equipe ele não pode", diz Manteli.
Ele conta que, depois da quebra do monopólio do sindicato dos
estivadores na década de 90, as empresas tinham de dar prioridade à mão
de obra do Ogmo, mas se não encontrasse o profissional ideal poderia
buscar fora do mercado. Em 2013, no entanto, uma nova lei (12.815) mudou
isso e voltou ao que era antes. Agora as empresas só podem contratar
dentro do Ogmo.
Além dessa vitória, os sindicatos fazem campanha para que outros
terminais, fora dos portos públicos, também sejam obrigados a seguir a
mesma regra. Por ora, eles não conseguiram emplacar a medida. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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