Proporcionar aos cidadãos áreas
de lazer com segurança e qualidade é um dever do poder público que está
previsto dentro da Constituição Brasileira de 1988. De acordo com o § 3º
do Art. 217, cabe ao Poder Público incentivar o lazer, como forma de
promoção social. E não para por aí, áreas de lazer dignas também é um
direito das crianças e adolescentes, previsto no Estatuto da Criança e
do Adolescente (ECA).
No entanto, apesar da lei existir, o que geralmente pode ser
observado em Macaé são situações opostas. A cidade, que só nos últimos
sete meses, somando o repasse dos royalties e as cotas da Participação
Especial, ultrapasou a casa dos R$ 75,6 milhões em arrecadação, ainda
deixa a desejar quando o assunto é saúde, educação, lazer e saneamento.
Basta andar pela cidade para ver esgoto jorrando a céu aberto; pessoas
reclamando por atendimento nos corredores do Hospital Público; famílias
denunciando caso de criança ficando entre a vida e a morte por
negligência médica; familiares fazendo vaquinhas nas redes sociais para
arrecadar recursos para custear tratamentos de filhos que sofrem Atrofia
Muscular Espinhal (AME); praças abandonadas por todo lado, entre muitas
outras situações.
O lazer, por exemplo, pode parecer algo simples, mas é um direito
constituído por lei. Em meio a falta de espaço adequado para brincar é
comum ver crianças e jovens brincando pelas ruas, sem nenhum tipo de
estrutura e segurança.
A situação de praças
abandonadas na cidade. Os locais que deveriam servir de opção de lazer
para crianças, jovens, adultos e famíliares são tomados por matos,
acumulam brinquedos quebrados e na maioria das vezes não oferecem
qualquer tipo de segurança para a população.
Esta semana a equipe de
reportagem do Jornal flagrou o abandono de uma praça próximo a uma
unidade de ensino. O flagrante foi feito na Praça localizada próximo ao
Senai, na Estrada Virgem Santa, 657, Botafogo. Mesmo em meio ao
abondono, o local é frequentado diariamente pelos estudantes. Muitos
utilizam o espaço para aguardar coletivos, outros até mesmo para fazer
alguma refeição em meio aos intervalos das aulas.
Enquanto segue abandonado pelo poder público, o local cada vez mais é
tomado por matos. Um abandono que coloca em risco a vida de quem
frequenta o espaço. "Já houve vários casos de assaltos aqui próximo. E à
noite a situação é ainda pior. Tantos os alunos como nós familiares nos
sentimos inseguros. Um espaço como esse não deveria estar abandonado",
relatou um pai que preferiu não se identificar. "A sensação que temos é
de abandono, mas não há nada que podemos fazer", disse um morador que
passava próximo ao local.
Vale lembrar que, de acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente
(ECA) que trata do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer,
a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e
qualificação para o trabalho. Ainda segundo o Art. 59, "os municípios,
com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a destinação
de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de
lazer voltadas para a infância e à juventude".
Mas enquanto nem mesmo uma simples manutenção é feita nas praças da
cidade, a população questiona onde são aplicados os milhões arrecadados
pela prefeitura. Só este mês, foram R$ 33,5 milhões repassados pela
Secretaria do Tesouro Nacional, fazendo com que o município tivesse um
excesso de receitas que somou mais de R$ 7,6 milhões.

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