O dólar operava em alta nesta quarta-feira e retornava ao nível de R$
3,15, acompanhando a trajetória da moeda ante divisas emergentes no
exterior, em ambiente de maior aversão ao risco com o acirramento das
tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Coreia do Norte.
Às 10:56, o dólar avançava 0,55%, a R$ 3,1471 na venda, depois de marcar
a máxima de R$ 3,1521. O dólar futuro subia cerca de 0,70%.
"Nos mercados, vemos movimentos de realização de lucros desencadeados
por declarações imprevistas", comentou a corretora Guide em relatório a
clientes ao citar as ameaças trocadas entre os presidentes dos Estados
Unidos, Donald Trump, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un.
Trump alertou a Coreia do Norte que o país será atingido por "fogo e
fúria" caso ameace os EUA, levando a nação com armas nucleares a dizer
que está considerando disparar mísseis contra a ilha de Guam, território
dos Estados Unidos no Pacífico.
A crescente tensão geopolítica faz o dólar subir ante as divisas de
países emergentes, como os pesos chileno e mexicano e o rand
sul-africano.
"Internamente, o dólar pedia por uma realização, em meio às dúvidas
sobre a meta fiscal e sobre medidas para elevar os impostos", comentou o
economista-chefe da gestora Infinity, Jason Vieira.
Nesta quarta-feira, o presidente Michel Temer vai se reunir com os
ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, do Planejamento, Dyogo
Oliveira, da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da
Presidência, Moreira Franco, para discutir a meta fiscal.
O governo enfrenta sérias dificuldades para equilibrar as contas
públicas sob uma forte expectativa de que terá de alterar a meta fiscal
deste ano, para poder ter um déficit primário maior dos que os R$ 139
bilhões previstos.
Nos últimos dias, o governo admitiu que estudava elevar o imposto de
renda pessoa física para elevar receitas e contribuir com a meta, mas
diante da reação negativa, foi obrigado a voltar atrás e dizer que não
encaminharia a proposta de mudança ao Congresso.
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