A inflação voltou a ganhar impulso em julho, acima do esperado e puxada
pelos preços maiores de energia elétrica e dos combustíveis, mas ainda
dando conforto para que o Banco Central continue no seu caminho de
redução dos juros básicos.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,24% em
julho, após mostrar deflação de 0,23% em junho, informou o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.
No acumulado de 12 meses, o IPCA subiu 2,71%, nível mais baixo desde
fevereiro de 1999 (2,24%) e permanecendo abaixo do piso da meta oficial
de inflação, de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
O número de julho veio acima das expectativas dos analistas consultados
pela Reuters, de alta de 0,19% no mês e de 2,66% em 12 meses.
"O IPCA está muito ao sabor da energia e das bandeiras tarifárias nos
últimos 2 meses. É preciso esperar o fim desse movimento, para cima ou
para baixo, para filtrar o real patamar da inflação", disse o gerente de
Índice de Preços do IBGE, Fernando Gonçalves.
Segundo o IBGE, o maior impacto individual sobre o IPCA veio da energia
elétrica, que subiu 6% após a entrada em vigor da bandeira tarifária
amarela em julho, levando o grupo Habitação a registrar alta de 1,64% em
julho, depois de registrar deflação de 0,77% no mês anterior.
Essa pressão deve permanecer em agosto, quando valerá a bandeira
vermelha. Além disso, o efeito do aumento do PIS/Cofins sobre preços de
combustíveis, anunciado em meados de julho, não deve desaparecer no
curto prazo.
E foi isso que afetou o grupo Transporte em julho, com alta mensal de
0,34% no mês passado, depois de cair 0,2% em junho. Segundo o IBGE, o
litro do etanol ficou, em média, 0,73% mais caro, enquanto a gasolina
subiu 1,06%.
Já o grupo alimentação e bebidas, que corresponde por 25% do índice, apresentou deflação pelo terceiro mês e recuou 0,47%.
O fato de os preços livres continuarem em queda neste mês,
influenciados pela recuperação econômica mais lenta que a esperada, é um
fator importante para que o BC corte a Selic, que já foi reduzida em 5
pontos percentuais desde outubro do ano passado, aos atuais 9,25%.

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