O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Grupo
de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC/MPRJ), denunciou
11 pessoas pelos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica,
lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Entre os denunciados está
Fernando Trabach Gomes, apontado como líder da organização e responsável
por usar uma pessoa fictícia, George Augusto Pereira da Silva, com o
objetivo de cometer crimes licitatórios e contra a ordem tributária.
Agentes do MPRJ estiveram na sede da Prefeitura de Campos e na Comauto,
onde estão dezenas de ambulâcias, com informações "Aguardando Devolução
GAP".
O chamado “fantasma” foi usado para vencer licitações em vários
municípios do Estado e figurou como sócio de dezenas de empresas e
outorgante de procurações para atuação junto a bancos, cartórios e
prefeituras. O GAECC/MPRJ obteve a decretação da prisão preventiva de
Fernando Trabach Gomes e de dois advogados denunciados que também
atuaram nos esquemas criminosos.
O GAECC/MPRJ, com apoio da Corregedoria Geral Unificada da Secretaria
de Estado de Segurança (CGU/SESEG) e agentes da Coordenadoria de
Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), cumpre, nesta terça feira (08/08),
30 mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Criminal de
Duque de Caxias. O objetivo é apreender contratos e documentos
relacionados a, pelo menos, 21 sociedades empresárias constituídas com
"laranjas" e "fantasma". Os mandados estão sendo cumpridos também no
Condomínio Golden Green, na Barra da Tijuca, na sede da Prefeitura de
Campos dos Goytacazes, e em outros endereços em Jacarepaguá, Duque de
Caxias e Campos. Os demais denunciados são parentes de Fernando Trabach
Gomes, como sua mãe, mulher, filho, cunhada e ex-mulher, além de
empregados e os dois advogados.
O GAECC/MPRJ também requereu à Justiça que os acusados sejam
condenados à reparação dos danos materiais causados ao erário estadual,
apurados, inicialmente e sem atualização, no montante de R$
1.774.565,80, relativo a valores fiscais que deixaram de ser recolhidos
aos cofres públicos. Para assegurar a reparação, houve decreto de
indisponibilidade de bens.
De acordo com a denúncia, os diversos negócios privados ou junto à
administração pública, com uso de documento falso, são praticados desde
2006. O esquema criminoso permitia que Fernando Trabach Gomes se
escondesse na figura do fantasma e se beneficiasse das atividades
econômicas lucrativas exercidas pela identidade fictícia. As provas
colhidas demonstram, por exemplo, que o Município de Campos dos
Goytacazes contratou algumas vezes o “fantasma” para locar ambulâncias
por valores que chegaram a R$ 17,3 milhões. A investigação evidencia,
inclusive, um pregão presencial vencido por George Augusto Pereira da
Silva, que teria beneficiado, na verdade, Fernando Trabach Gomes.
Também são listados contratos feitos em nome da identidade fantasma
junto à Prefeitura de Duque de Caxias, à Assembleia Legislativa do Rio
de Janeiro (ALERJ) e à Polícia Civil fluminense. Na maioria das vezes,
os contratos destinavam-se à locação de veículos automotores, através de
procedimentos licitatórios com suspeitas de fraudes, os quais
continuarão sendo investigados.
Empreendimentos imobiliários também integravam os negócios das
empresas. A ação cita como outro exemplo o anúncio da sociedade NEP NEXT
EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, juntamente com a rede hoteleira
francesa ACCOR, a respeito de um investimento de R$ 400 milhões para a
construção de 12 hotéis no interior do Estado. O filho de Trabach,
Fernando Trabach Gomes Filho, um dos denunciados, exercendo de forma
consciente sua função de “laranja”, apresentou-se como
diretor-presidente da sociedade. Ainda segundo a ação, o empreendimento
causou lesão a muitos consumidores, resultando no bloqueio judicial de
R$ 75 milhões, em 2014, na Comarca de Resende, por não ter sido honrado o
compromisso assumido.
Os contratos foram firmados, inicialmente, pela firma GEORGE A. P. DA
SILVA COMÉRCIO DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS-ME, firma individual constituída
em nome do "fantasma"George Augusto Pereira da Silva. Ao longo dos
anos, outras empresas eram criadas e assumiam os negócios, tendo os
demais denunciados em sua constituição societária. Algumas delas eram a
GAP COMÉRCIO E SERVIÇOS ESPECIAIS –EPP, SUPER PLENA LOCADORA DE VEICULOS
EIRELI, AUTO POSTO ESTRELA DA SERRA LTDA-ME, entre diversas outras.
Além de possuir diversos CPF´s, Trabach chegou a colocar sua criação,
o "fantasma" George Augusto Pereira da Silva, como sócio administrador
e majoritário de diversas sociedades. George Augusto Pereira da Silva
também figurou na promessa de compra e venda, como compromissário
comprador, do apartamento residencial no Condomínio de luxo Golden
Green, na Barra da Tijuca, onde Trabach, sua mulher Mônica Lima Barbosa e
seu filho residiram por vários anos e até hoje figuram na relação de
moradores do bloco "Blue Ash".
O “fantasma” ainda consta como proprietário de dois imóveis em Duque
de Caxias, além de duas motocicletas, e ao seu nome vinculam-se um RG
pertencente a uma terceira pessoa e um CPF suspenso, que não consta como
eleitor no TRE. Valendo-se do "fantasma" Fernando Trabach cometeu os
crimes de organização criminosa, mais de trinta falsidades ideológicas,
inúmeros crimes de sonegação, além de, pelo menos, seis crimes de
lavagem de dinheiro.
A denúncia cita, ainda, que a organização criminosa mantinha
estreitas relações políticas com diversas Prefeituras Municipais no Rio
de Janeiro. A ex-mulher de Trabach, Desirre Silva de Oliveira,
inclusive, foi ex-chefe de gabinete do Presidente da Câmara Municipal de
Duque de Caxias.
Os demais denunciados são Jacira Trabach Pimenta, Mônica Lima
Barbosa, Fernando Trabach Gomes Filho, Geraldo Menezes de Almeida,
Henrique Itamar Schmidt, Marcos José Laporte de Souza, Elis da Rocha
Ramos, Elen Cláudia Rangel Gomes, Desirre Silva de Oliveira e Jaks
Trabach Gomes. A denúncia foi aceita pela 3ª Vara Criminal de Duque de
Caxias.
Em nota, a Prefeitura de Campos informou que agentes do Ministério
Público Estadual (MPE) realizam operação na manhã desta terça-feira
(08/08) na sede da Prefeitura de Campos com o objetivo de recolher
documentos relativos à empresa GAP, que prestava serviços de ambulância
para a gestão passada.
O procurador geral do município José Paes Neto acompanha a equipe do
MPE, que está com mandado de busca e apreensão, e recolhe documentos
relativos à empresa que se encontra sob investigação judicial por conta
dos serviços prestados à antiga gestão.

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