A UTI Neonatal Nicola Albano, da Maternidade Lilia Neves, está
implantando em Campos o conceito de UTI Neonatal Neurológica, modelo de
assistência que vem se popularizando em todo o mundo. Ele diminui a
mortalidade e melhora o desenvolvimento de recém-nascidos com risco de
lesões cerebrais por meio da aplicação de metodologias de neuroproteção e
monitoração contínua.
A novidade é fruto de uma parceria com o projeto Protecting Brains
& Saving Futures (PBSF), que promove a difusão do conceito de UTI
Neonatal Neurológica e oferece apoio de uma Central de Monitoramento 24
horas.
Uma das metodologias empregadas na UTI Neonatal Neurológica é a
Hipotermia Terapêutica para recém-nascidos com asfixia perinatal, que
acontece quando o feto deixa de receber oxigênio da mãe. Um treinamento
especial foi ministrado a médicos, enfermeiros e fisioterapeutas nesta
terça-feira (5), no auditório do Hospital Dr. Beda.
Ao longo do dia, os neonatalogistas Gabriel Variane, que é diretor
científico da PBSF, e Alexandre Netto apresentaram os protocolos de
aplicação da metodologia. De acordo com Variane, a Hipotermia
Terapêutica consiste no resfriamento do recém-nascido a uma temperatura
entre 33 e 34 ºC por até 72 horas, o que reduz o metabolismo cerebral e
para o mecanismo inflamatório.
“Após três dias, realizamos um lento reaquecimento do bebê: de 0,2 a
0,5 ºC, até que ele volte à temperatura normal, entre 36 e 37 ºC. Isso
promove uma neuroproteção muito importante. Hoje, esse é o tratamento
mais eficaz para se prevenir sequelas neurológicas na asfixia, que é uma
doença muito prevalente e que tem altíssimas chances de mortalidade e
morbidade”, explica o neonatalogista, acrescentando: “Com isso, a UTI
Nicola Albano se torna uma referência para recém-nascidos de alto risco
na região”.
Números — Dados da Protecting Brains & Saving
Futures (PBSF) e da Brazilian Expertise in Neonatal & Neurological
Solutions (Brents), duas crianças sofrem uma lesão cerebral na hora do
parto por hora. Entre os 13 milhões de prematuros que nascem todos os
anos, 1,15 milhão sofrem de asfixia. Destes, 350 mil prematuros e 233
mil asfixiados terão de lidar para o resto de suas vidas com sequelas
neurológicas moderadas ou graves.
No Brasil, 40 bebês nascem por hora nascem com risco de lesão
cerebral. Devido à falta de Medicina Preventiva, estima-se que 5% deste
total apresentarão lesão cerebral importante. Ou seja, duas crianças por
hora.

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