Depois de chegar perto de 3,28 reais pela manhã, com alta de quase 1 por
cento, o dólar perdeu força e fechou praticamente estável nesta
terça-feira, influenciado pela recuperação das bolsas norte-americanas
após o tombo na véspera em meio à perspectiva de maior aperto monetário
nos Estados Unidos.
O movimento de alta mais cedo veio mesmo após a atuação do Banco
Central, que voltou a intervir no mercado cambial com leilão de swap
cambial, equivalente à venda futura de dólares.
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O dólar recuou 0,03 por cento, a 3,2461 reais na venda, depois de ir à
máxima de 3,2790 reais no dia. Na véspera, a moeda norte-americana havia
subido 1 por cento.
O dólar, no mês, acumula alta de cerca de 2 por cento sobre o real. O
dólar futuro tinha baixa de cerca de 0,55 por cento no final da tarde.
"A volatilidade pode persistir no curto prazo, mas continuamos
confiantes de que o mercado continua altista (no mercado acionário). Se
antes estava claro que uma correção estava por vir, agora estamos
próximos de ver algum exagero com essas vendas técnicas", disse o
vice-presidente de investimentos do banco UBS, Mark Haefele, em nota.
Dados mais robustos sobre o mercado de trabalho norte-americano
divulgados na sexta-feira já haviam reforçado a leitura de que o Federal
Reserve, banco central do país, poderá ser mais duro na trajetória de
aperto monetário diante da inflação ser mais pressionada.
A expectativa de juros mais altos na maior economia do mundo deu início
recentemente ao forte movimento de aversão ao risco global, culminando
com as bolsas norte-americanas despencando na véspera.
Neste pregão, Wall Street mostrava recuperação e aliviava o restante do mercado, apesar da elevada volatilidade.
"O maior risco é que os bancos centrais estivessem atrasados em relação
à política monetária. Os últimos dados fizeram soar esse temor", disse
mais cedo o analista econômico da gestora Rio Gestão, Bernardo Gonin, ao
justificar a pressão no dólar.
No exterior, o dólar rondava a estabilidade ante uma cesta de moedas, mas caía ante divisas de países emergentes.
A alta mais cedo do dólar frente ao real veio mesmo após o BC
brasileiro voltar ao mercado. A autoridade monetária realizou nesta
manhã o primeiro leilão de swap cambial tradicional para rolagem do
vencimento de março, no total de 6,154 bilhões de dólares. Vendeu a
oferta integral de até 9,5 mil contratos, ou 475 milhões de dólares.
Mantido esse volume diário até o final do mês e vendendo os lotes
todos, rolará integralmente os contratos que vencem agora. O estoque
total de swap cambial tradicional nas mãos do BC é de 23,796 bilhões de
dólares.
"Nesses níveis de dólar, já era esperado que o BC sinalizasse rolagem integral. Impacto nulo no dólar", comentou Gonin.
Como pano de fundo, o mercado seguiu de olho os esforços do governo
para conseguir apoio político para aprovar a reforma da Previdência
neste mês na Câmara dos Deputados.

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