Os juros do cheque especial subiram em março, segundo dados do Banco
Central (BC), divulgados hoje (26), em Brasília. A taxa chegou a 324,7%
ao ano, com aumento de 0,6 ponto percentual em relação a fevereiro. No
ano, a elevação é de 1,7 ponto percentual.
No último dia 10, os bancos anunciaram mudanças no cheque especial, mas
as novas regras só valem a partir de julho. Segundo a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban), os clientes que utilizarem mais de 15%
do limite do cheque durante 30 dias consecutivos vão receber a oferta de
um parcelamento, com taxa menor de juros que a do cheque especial a ser
definida individualmente pelos bancos.
A taxa do rotativo do cartão de crédito também subiu, ao chegar a
243,5% ao ano em março, com aumento de 9,6 pontos percentuais em relação
a fevereiro. Essa é a taxa para quem paga pelo menos o valor mínimo da
fatura do cartão em dia.
Já os juros cobrados dos consumidores que não pagaram ou atrasaram o
pagamento mínimo da fatura caíram 2 pontos percentuais, chegando a
397,6% ao ano em março. Com isso, a taxa média da modalidade de crédito
ficou em 334,5% ao ano, com aumento de 2,1 pontos percentuais em relação
a fevereiro.
O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o
valor integral da fatura do cartão. O crédito rotativo dura 30 dias.
Após esse prazo, as instituições financeiras transferem a dívida para o
crédito parcelado, seguindo regra estabelecida pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN) no ano passado.
Crédito parcelado no cartão
A taxa do crédito parcelado no cartão recuou 5 pontos percentuais para
169,3% ao ano. A taxa média de juros para as famílias caiu 0,5 ponto
percentual indo para 57,2% ao ano, em março. A taxa média das empresas
diminuiu 1 ponto percentual: agora é de 21,2% ao ano.
A inadimplência do crédito, considerados atrasos acima de 90 dias, para
pessoas físicas, recuou 0,1 ponto percentual para 5%. No caso das
pessoas jurídicas, a queda foi de 0,4 ponto percentual, indo para 4,4%.
Esses dados são do crédito livre em que os bancos têm autonomia para
aplicar dinheiro captado no mercado.
No caso do crédito direcionado (empréstimos com regras definidas pelo
governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de
infraestrutura) os juros para as pessoas físicas tiveram queda de 0,1
ponto percentual e atingiram 8,1% ao ano.
A taxa cobrada das empresas teve retração de 1,7 ponto percentual, indo
para 10,5% ao ano. A inadimplência das pessoas físicas ficou em 2,1%,
com recuo de 0,1 ponto percentual em relação a fevereiro, e das empresas
chegou a 1,2%, com redução de 0,2 ponto percentual.
O saldo de todas as operações de crédito concedido pelos bancos ficou
em R$ 3,081 trilhões, com crescimento de 0,6% no mês. No ano, houve
retração de 0,3% e em 12 meses, crescimento de 0,1%. Em relação a tudo o
que o país produz - Produto Interno Bruto (PIB) - o volume de crédito
correspondeu a 46,6%, com aumento de 0,2 ponto percentual em relação a
fevereiro.

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