CURITIBA - Futuro ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, o juiz federal Sérgio Moro
afirmou na noite desta segunda-feira, 5, que não há "demérito na
política", mas que ocupará um "cargo técnico" no governo do presidente
eleito. A declaração de Moro foi feita durante abertura de uma
conferência na sede da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do
Paraná), em Curitiba.
"Não há demérito na política, meu objetivo não é perseguir cargos,
serei um técnico dentro do Ministério da Justiça", afirmou. "Não me vejo
ingressando na política, não me vejo como um político verdadeiro, vou
para o Ministério da Justiça mais a Segurança em uma posição mais
técnica. Isso envolve uma certa política, conversar com as pessoas",
disse.
Sobre sua participação no governo, Moro afirmou que deverá apresentar
um pacote de ações no início do ano. "Será um pacote legislativo para
apresentar com uma série de medidas anticorrupção e contra o crime
organizado", disse.
Na conferência, Moro apresentou dados da Operação Lava Jato. Durante a
apresentação, o juiz afirmou que a Petrobrás teve perdas de R$ 6 bilhões
em desvios e que a Lava Jato recuperou R$ 2 bilhões. "É inegável que
temos pessoas poderosas (presas)", afirmou.
Ele citou casos de dirigentes da Petrobrás e de políticos.
"Ex-deputados, ex-governadores, um ex-presidente da Câmara e um
ex-presidente da República", disse, lembrando que investigações
anteriores à Lava Jato não tiveram o mesmo êxito. Ele citou o caso do
Anões do Orçamento. "Isso mudou com o mensalão", afirmou.
O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, elogiou a indicação do juiz e
ressaltou a importância de união. "Não adianta termos um novo presidente
e um novo Congresso se não nós unirmos. Parabéns ao nosso ministro",
disse.

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