segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Corrida eleitoral 2020 para a Prefeitura de Campos já está na pauta


Já é 2020, em Campos. Pelo menos na política. O tabuleiro para as próximas eleições municipais começa a se definir no município. No dia 5 de janeiro, Anthony Garotinho utilizou seu programa na rádio Campos Difusora para lançar a ex-prefeita Rosinha, sua esposa, como representante de seu grupo político no pleito. Em entrevista de uma página ao Jornal Terceira Via, apurada antes e publicada no dia seguinte, o prefeito Rafael Diniz (PPS) confirmou que será candidato à reeleição. O deputado estadual Gil Vianna (PSL) usou as redes sociais para se reafirmar “candidatíssimo”, na última segunda-feira (21), e outros nomes ainda vão surgir nos próximos meses, mas é em torno destes dois que a disputa tende a girar.
Fenômeno das urnas em 2016, quando teve uma vitória acachapante sobre o segundo colocado, Dr. Chicão (PR), candidato governista à sucessão da própria Rosinha, Rafael conquistou uma imprevista vitória em primeiro turno contra um adversário que tinha “a máquina na mão” e contou 151,462 votos — 55,19% do total. O resultado deveu-se não só a um mandato bem avaliado como vereador, como também a uma campanha que soube usar as redes sociais e personificar um sentimento antigarotista que já havia deixado o ex-governador do Estado fora do segundo turno quando tentou voltar ao Palácio Guanabara e fez murchar a candidatura de Crivella, a quem apoiou na sequência, em 2014.
Assumiu como depositário da esperança popular na renovação política do município, mas viu a confiança e o apoio dos eleitores se degradar conforme a gestão enfrentava dificuldades em manter serviços básicos, como varrição de rua e manutenção de praças e jardins, pagamento regular de 13o de servidores e salários de RPAs, e programas sociais, como passagem a R$ 1 e Cheque Cidadão, todos suspensos.
Afirmando que a dificuldade em cumprir parte de suas promessas de campanha se deveu a um déficit de R$ 230 milhões em rombos na previdência dos servidores municipais, precatórios e antecipação de receitas dos royalties, Rafael ainda tenta encontrar uma marca para a sua gestão que se acomode ao orçamento: “A principal marca será a da responsabilidade com o dinheiro público”, afirmou na entrevista.
Mas, se Rafael perdeu o ar de novidade, Rosinha é mais do mesmo. Prefeita de Campos por dois mandatos, entre 2009 e 2016, como o restante do clã, é uma herdeira política do próprio marido, que manteve digitais na Prefeitura desde que comandou o município pela primeira vez, em 1989, elegendo aliados para eventualmente transformá-los em desafetos, como fez com Sérgio Mendes e Arnaldo Vianna.
A decisão de apostar em Rosinha, fez Garotinho colocar de lado o filho, Wladimir (PRP). Deputado federal mais votado em Campos em 2018, o irmão de Clarissa Garotinho (PDT) recebeu 30.795 votos válidos no município, o que, em tese, o gabaritaria como um sucessor viável para o clã. Isso pode ter um custo, já que a ex-prefeita deixou a prefeitura envolvida em escândalos e chegou mesmo a ser presa.
Alvo de duas Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) na Câmara, que investigam contrato da prefeitura com a empresa Emec Obras e Serviços Ltda. e pagamentos irregulares da empreiteira ao casal Garotinho, Rosinha foi detida pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2017, durante a Operação Caixa D’Água. Permaneceu presa durante uma semana.
A esperança do grupo do ex-governador tentar, ele agora, capitalizar a insatisfação com Rafael e emular o sucesso de Carla Machado (PP), que foi reconduzida à Prefeitura de São João da Barra
após a má avaliada gestão de Neco (MDB).
Para isso, todavia, Rosinha terá que brigar na Justiça, já que está inelegível desde que Câmara de Vereadores de Campos reprovou, em julho do ano passado, as contas da Prefeitura referentes ao ano de 2016. O TRE-RJ manteve a inelegibilidade da ex-prefeita, acusada de participar de um esquema distribuição fraudulenta do programa assistencial Cheque Cidadão visando compra de votos. Com isso, ela permanecerá sem poder se candidatar até 2024.
O fator conservador A candidatura de Gil Vianna, porém, pode surpreender e quebrar a polarização Rafael x Rosinha diante do perfil conservador do eleitorado campista, como atestado pela preferência por Jair Bolsonaro (PSL), para a presidência, Wilson Witzel (PSC), para o governo do Estado do Rio, e Flávio Bolsonaro (PSL), para o senado, nas eleições de 2018.
Policial militar filiado ao mesmo partido da primeira família, Vianna recebeu 28.636 votos em outubro do ano passado e pode acabar seduzindo localmente aqueles que apostaram na pauta que se opõem à liberalização nos costumes enquanto a procura na economia.


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