Já é 2020, em Campos. Pelo menos na política. O tabuleiro para as
próximas eleições municipais começa a se definir no município. No dia 5
de janeiro, Anthony Garotinho utilizou seu programa na rádio Campos
Difusora para lançar a ex-prefeita Rosinha, sua esposa, como
representante de seu grupo político no pleito. Em entrevista de uma
página ao Jornal Terceira Via, apurada antes e publicada no dia
seguinte, o prefeito Rafael Diniz (PPS) confirmou que será candidato à
reeleição. O deputado estadual Gil Vianna (PSL) usou as redes sociais
para se reafirmar “candidatíssimo”, na última segunda-feira (21), e
outros nomes ainda vão surgir nos próximos meses, mas é em torno destes
dois que a disputa tende a girar.
Fenômeno das urnas em 2016, quando teve uma vitória acachapante sobre
o segundo colocado, Dr. Chicão (PR), candidato governista à sucessão da
própria Rosinha, Rafael conquistou uma imprevista vitória em primeiro
turno contra um adversário que tinha “a máquina na mão” e contou 151,462
votos — 55,19% do total. O resultado deveu-se não só a um mandato bem
avaliado como vereador, como também a uma campanha que soube usar as
redes sociais e personificar um sentimento antigarotista que já havia
deixado o ex-governador do Estado fora do segundo turno quando tentou
voltar ao Palácio Guanabara e fez murchar a candidatura de Crivella, a
quem apoiou na sequência, em 2014.
Assumiu como depositário da esperança popular na renovação política
do município, mas viu a confiança e o apoio dos eleitores se degradar
conforme a gestão enfrentava dificuldades em manter serviços básicos,
como varrição de rua e manutenção de praças e jardins, pagamento regular
de 13o de servidores e salários de RPAs, e programas sociais, como
passagem a R$ 1 e Cheque Cidadão, todos suspensos.
Afirmando que a dificuldade em cumprir parte de suas promessas de
campanha se deveu a um déficit de R$ 230 milhões em rombos na
previdência dos servidores municipais, precatórios e antecipação de
receitas dos royalties, Rafael ainda tenta encontrar uma marca para a
sua gestão que se acomode ao orçamento: “A principal marca será a da
responsabilidade com o dinheiro público”, afirmou na entrevista.
Mas, se Rafael perdeu o ar de novidade, Rosinha é mais do mesmo.
Prefeita de Campos por dois mandatos, entre 2009 e 2016, como o restante
do clã, é uma herdeira política do próprio marido, que manteve digitais
na Prefeitura desde que comandou o município pela primeira vez, em
1989, elegendo aliados para eventualmente transformá-los em desafetos,
como fez com Sérgio Mendes e Arnaldo Vianna.
A decisão de apostar em Rosinha, fez Garotinho colocar de lado o
filho, Wladimir (PRP). Deputado federal mais votado em Campos em 2018, o
irmão de Clarissa Garotinho (PDT) recebeu 30.795 votos válidos no
município, o que, em tese, o gabaritaria como um sucessor viável para o
clã. Isso pode ter um custo, já que a ex-prefeita deixou a prefeitura
envolvida em escândalos e chegou mesmo a ser presa.
Alvo de duas Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) na Câmara,
que investigam contrato da prefeitura com a empresa Emec Obras e
Serviços Ltda. e pagamentos irregulares da empreiteira ao casal
Garotinho, Rosinha foi detida pela Polícia Federal (PF) em novembro de
2017, durante a Operação Caixa D’Água. Permaneceu presa durante uma
semana.
A esperança do grupo do ex-governador tentar, ele agora, capitalizar a
insatisfação com Rafael e emular o sucesso de Carla Machado (PP), que
foi reconduzida à Prefeitura de São João da Barra
após a má avaliada gestão de Neco (MDB).
após a má avaliada gestão de Neco (MDB).
Para isso, todavia, Rosinha terá que brigar na Justiça, já que está
inelegível desde que Câmara de Vereadores de Campos reprovou, em julho
do ano passado, as contas da Prefeitura referentes ao ano de 2016. O
TRE-RJ manteve a inelegibilidade da ex-prefeita, acusada de participar
de um esquema distribuição fraudulenta do programa assistencial Cheque
Cidadão visando compra de votos. Com isso, ela permanecerá sem poder se
candidatar até 2024.
O fator conservador A candidatura de Gil Vianna, porém, pode
surpreender e quebrar a polarização Rafael x Rosinha diante do perfil
conservador do eleitorado campista, como atestado pela preferência por
Jair Bolsonaro (PSL), para a presidência, Wilson Witzel (PSC), para o
governo do Estado do Rio, e Flávio Bolsonaro (PSL), para o senado, nas
eleições de 2018.
Policial militar filiado ao mesmo partido da primeira família, Vianna
recebeu 28.636 votos em outubro do ano passado e pode acabar seduzindo
localmente aqueles que apostaram na pauta que se opõem à liberalização
nos costumes enquanto a procura na economia.

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