Sem solução de curto prazo para o Hospital da Criança, fechado há
mais de dois anos, a Secretaria de Saúde de Cabo Frio cogita se livrar
do ‘abacaxi’, que o imóvel se tornou. Em entrevista concedida a um canal
de televisão, que foi ao ar na edição da tarde de ontem, o secretário
Márcio Mureb disse que está em diálogo para transferir a gestão da
unidade.
– Estamos mantendo conversas com o Estado para tentar estadualizar e
com a Federação para tentar federalizar. Uma coisa ou outra. Em
benefício não só de Cabo Frio, mas de toda região – disse o secretário.
O problema é que o desejo de Mureb parece não encontrar eco junto ao
Governo do Estado e à União. Tanto um quanto o outro, pelo menos no
momento, descartam a possibilidade de assumir a administração da unidade
que, nas contas do próprio prefeito Adriano Moreno (Rede), em
entrevista concedida pouco depois de assumir, precisa de investimentos
de R$ 8 milhões para ser reaberto.
Em contato feito com a reportagem, a assessoria de Comunicação da
Secretaria Estadual de Saúde disse que, até o momento, “não existe nada
de concreto sobre o assunto”. Por sua vez, o Ministério da Saúde disse
que “cabe ao gestor local fazer a gestão dos estabelecimentos de saúde
na sua área de abrangência”.
A declaração do secretário de Saúde acontece poucos dias após o
Ministério Público Federal (MPF) pedir esclarecimentos formais de Mureb e
do prefeito Adriano sobre a situação do Hospital da Criança. Apesar de
um muro ter sido construído em frente ao hospital ainda no começo da
atual gestão, de acordo com o MPF, o local ainda serve de abrigo para
moradores de rua.
Outro questionamento feito pelo procurador da República Leandro
Mitidieiri Figueiredo é sobre como a demanda do Hospital da Criança está
sendo absorvida. À TV local, Márcio Mureb disse que o Hospital da
Mulher possui alguns leitos para receber crianças para internação, mas
que elas vêm de unidades de emergência, como as UPAs e o Hospital do
Jardim Esperança, que possuem serviço de pediatria.
Sobre a suposta invasão de moradores de rua no imóvel do Hospital da
Criança, a gestão municipal disse que o Guarda Municipal faz rondas
diárias pelo local e que é possível acionar o poder público se algum
vizinho perceber movimentação no imóvel.
Curiosamente, uma intervenção estadual ou federal foi sugerida, mas
para outra unidade de saúde do município, no caso, o Hospital da Mulher.
A proposta está em um documento composto por dez itens entregue pela
Comissão de Direitos Humanos aos integrantes da CPI que investiga
possíveis irregularidades na unidade hospitalar do Braga.

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