O empate do Brasil com o Panamá (1 a 1), sábado, na cidade do Porto,
repercutiu muito mal na cúpula da CBF. Principalmente pela atuação
apática e desinteressada da equipe. Mesmo que a Seleção vença o amistoso
contra a República Checa, nessa terça (26), em Praga, um desconforto
crescente deve acompanhar o técnico Tite até a Copa América, em junho e
julho, em território nacional.
A competição continental passou a ser fundamental para a permanência
dele no comando da equipe. A hipótese de perder o cargo antes da Copa
América, no entanto, está descartada. Isso porque não haveria tempo
hábil de preparação do time para o torneio. Além disso, o presidente
eleito da CBF, Rogério Caboclo, tomará posse na segunda semana de abril e
quer tentar se ver longe de polêmicas.
Caboclo sempre se destacou como o braço direito de Marco Polo Del Nero
na CBF, o que já lhe rendeu nos últimos meses muitas críticas, até mesmo
internamente. Del Nero foi banido do futebol pela Fifa no ano passado
por suspeitas de envolvimento em casos de corrupção. Ele nega as
acusações.
A questão política na CBF, porém, pode ser mais um fator de ameaça a
Tite, segundo avaliação de dirigentes de federações estaduais que
circulam no gabinete de Caboclo. Eles afirmam que há uma tese em
evidência - a de que o novo presidente da confederação poderia
aproveitar o mau momento da
Seleção para fazer mudanças na comissão técnica e assim deixar em
segundo plano sua relação, e subordinação, a Marco Polo Del Nero.
De todo modo, Tite sabe que sua situação na Seleção não é mais a de
antes do Mundial da Rússia, quando parecia soberano no cargo. Começar o
ano de Copa América empatando com o Panamá não estava nos seus planos.
Nem nos da CBF.
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