O dólar tinha leves variações ante o real nesta terça-feira, com
participantes do mercado em compasso de espera pela apresentação do
parecer sobre a reforma da Previdência pelo relator na Comissão de
Constituição e Justiça da Câmara (CCJ).
Às 10:38, o dólar avançava 0,28 por cento, a 3,8599 reais na venda.
Na véspera, a divisa norte-americana caiu 0,62 por cento, a 3,8491
reais, menor fechamento desde 21 de março.
O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,3 por cento.
A CCJ se reúne às 14h30, quando o relator, deputado Delegado Marcelo
Freitas (PSL-MG), deve apresentar um parecer favorável à
admissibilidade da reforma da Previdência.
"O evento será um termômetro importante do apoio à pauta, sobretudo
depois das discussões entre governo e Congresso na semana passada",
avaliou a equipe de economistas da XP Investimentos.
Nesta terça-feira, autoridades do governo, como o presidente Jair
Bolsonaro, ministros e os presidentes das Casas do Congresso, participam
de evento sobre municípios em Brasília.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a reforma da
Previdência e disse ter certeza que o Congresso aprovará projeto que
será "marco histórico".
Na véspera, Maia afirmou que pautará a reforma da Previdência quando
o governo considerar que tem votos e que a data não tem importância, e
sim a economia a ser gerada, mas reiterou seu distanciamento da
articulação política.
Também na terça-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes,
insistiu na economia de 1 trilhão de reais em 10 anos com a proposta,
mas indicou saber que esse valor pode não ser alcançado no texto que
vier a ser aprovado no final.
Guedes também negou que pretende assumir a articulação da reforma no
Congresso, alegando não ter temperamento para isso, e reconheceu as
dificuldades do governo nessa área.
Em geral, a percepção de agentes financeiros sobre a Previdência é
de mais tranquilidade quando comparado com as últimas semanas, mas ainda
não há fatores que encorajem investidores a deixarem de lado posições
mais defensivas.
"Tirou um clima mais tenso que prevaleceu nas últimas duas semanas,
com as brigas entre Executivo e Legislativo. Mas ainda é um cenário de
muito risco, é normal o mercado ainda permanecer cauteloso", avaliou o
economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto.
Ainda do panorama doméstico, o mercado traz no radar reunião,
prevista para após o fechamento do mercado, que decidirá detalhes do
acordo da União com a Petrobras no Conselho Nacional de Política
Energética (CNPE), e que também definirá o modelo para o megaleilão dos
excedentes do contrato da cessão onerosa.
No exterior, moedas emergentes avançavam frente a um dólar fraco,
abalado por uma combinação de dados econômicos fracos nos Estados Unidos
e ganhos de moedas ligadas a commodities.
O Banco Central realiza nesta sessão leilão de até 5,350 mil swaps
cambiais tradicionais, correspondentes à venda futura de dólares, para
rolagem do vencimento de maio, no total de 5,343 bilhões de dólares.
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