BRASÍLIA - O secretário de Desestatização e Desinvestimento do Ministério
da Economia, Salim Mattar, reconheceu que o governo Jair Bolsonaro vai
realizar poucas privatizações de estatais ao longo deste ano. Segundo
ele, o mercado deve esperar uma grande quantidade de privatizações
somente em 2021. "No ano de 2019 acontecerão poucas privatizações, mas
muitos desinvestimentos", disse Mattar na quarta-feira, 8. "No segundo
ano, acelera-se o volume de privatizações e conclui a grande quantidade
em 2021."
Em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, o ministro da
Economia, Paulo Guedes, havia previsto que o governo arrecadaria U$ 20
bilhões em privatizações neste ano, o que contribuiria para melhorar o
resultado fiscal do governo, cujo déficit previsto é de R$ 139 bilhões.
Mas na quarta-feira, em fala aos jornalistas após primeira reunião do
Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Mattar deixou
claro que a previsão de Paulo Guedes não deve se concretizar.
O secretário afirmou que a preparação de uma empresa estatal para
venda, atualmente, demora de seis meses a um ano e meio, de forma a
cumprir a legislação e as exigências dos órgãos de controle. Segundo
ele, é mais fácil para o governo vender participações em empresas, cujo
prazo para conclusão do processo varia de 60 a 90 dias.
"Desinvestimentos acontecerão mais cedo, mas as privatizações vão
acontecer. É uma questão de ajuste", afirmou o secretário, comparando os
primeiros meses de gestão à preparação de uma orquestra sinfônica.
"Nesses quatro meses de governo estamos ensaiando para fazer essa
orquestra funcionar, e vai funcionar", afirmou.
Mattar criticou governos passados de orientação social-democrata - que,
segundo ele, acreditavam num Estado empresarial. "É incongruente. Ou é
Estado ou é empresário. Este governo tem uma direção diferente dos
anteriores. Este governo gosta de capital, de empresário, de lucro,
porque acredita que somente a iniciativa privada é criadora de riqueza e
geradora de empregos. O Estado é um ente improdutivo, absolutamente
improdutivo", afirmou.
Na reunião de quarta, 59 projetos foram incluídos no PPI. Mattar
explicou ainda que o governo vai vender ações no IRB-Brasil Resseguros e
debêntures da Vale. Ele criticou as participações do governo em
empresas como Suzano, Fibria, MRV, Vale e Petrobrás, que são estimadas
em R$ 150 bilhões. Desse total, cerca de R$ 110 bilhões são por meio do
BNDESpar.
Também foi anunciado que o governo decidiu colocar à venda duas
estatais ligadas à área de transporte público: a CBTU e a Trensurb.
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) atua em Belo Horizonte,
Recife, Maceió, João Pessoa e Natal, e a Trensurb, responsável pelo
metrô de superfície de Porto Alegre. No caso das empresas CBTU, a
empresa terá suas atividades separadas por cidade para que seja possível
privatizá-las.
Já nos primeiros meses, o governo Bolsonaro encontrou resistências à venda de estatais entre os próprios ministros.
Um dos exemplos foi o titular da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas,
que, durante a entrevista, defendeu a manutenção da Valec e da Empresa
de Planejamento e Logística (EPL).
A EPL foi criada para conduzir os estudos para execução do trem-bala. O
projeto foi engavetado ainda no governo de Dilma Rousseff, e a empresa
passou a conduzir os estudos do governo para as concessões de rodovias,
ferrovias e portos.
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